segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Reflita

Bird Box: que diabo é isso?

Foto: divulgação.

Depois de assistir a Bird Box, entendi porque a Netflix investiu tanto na divulgação do filme. Não que seja ruim e precisasse de publicidade compensatória. Pelo contrário, é excelente. Vejamos. 

Baseada no livro de Josh Malerman, a produção parte de uma premissa simples: pessoas vendadas tentando sobreviver em um mundo dominado por uma espécie de mal que, se visto, leva ao suicídio.

Filmes como Fim dos Tempos e Um lugar silencioso já flertaram com roteiros semelhantes, mas Bird Box vai além, fortemente apoiado no atual contexto sócio-histórico em suas camadas mais profundas.

Na superfície, já é possível fazer uma série de interpretações. A venda, que representa a fé cega ou um pulo no escuro, pode ser atribuída ao assombro da maternidade (duas personagens, com perfis destoantes, estão grávidas) e suas consequências. 

A história também é um constante exercício de empatia. Sobram situações em que as decisões são tomadas a partir dessa perspectiva, de colocar-se no lugar do outro. Especialmente em relação aos cegos, que ocupam um espaço de privilégio e certa superioridade perante uma maioria que enxerga e, por isso mesmo, torna-se vulnerável. 

Afinal, o que determina quem sobrevive, quem é melhor, quem é merecedor? São as nossas posturas diante das circunstâncias. O mundo gira, e elas mudam. 

As inúmeras leituras possíveis sobre o fim do mundo são outro ponto alto da história, repleta de lacunas entregues à nossa imaginação. Fala-se, por exemplo, sobre uma tal verdade purificadora, a fim de contextualizar os suicídios.

Outro detalhe curioso: no filme, os loucos são aqueles que se identificam com a bagunça. São aparentemente maus e, por isso, não sofrem os efeitos do caos. Isso os torna aliados das supostas criaturas, que nunca se revelam. Demônios? Alienígenas? Fique à vontade.

Voltemos ao marketing massivo. Poucas vezes vi tantos outdoors e anúncios na TV para divulgar um filme exibido nesse tipo de plataforma. Sim, é preciso pagar o cachê da Sandra Bullock. Porém, um outro motivo desponta como o mais provável, a fim de decifrar as várias camadas de Bird Box.

É importante entender que, nos Estados Unidos, a maioria dos meios de comunicação não simpatizam com o presidente Trump. Isso inclui a indústria do entretenimento e seus braços na música, na TV e no cinema.

Foto: divulgação.

Assim, a adaptação de Bird Box pela Netflix pode ser decodificada como uma espécie de pavor diante de ideologias sedutoras e igualmente perigosas, como as de Trump (muros, misoginia, conservadorismos indesculpáveis etc). Em suma, campanha antiTrump. Divulgada à exaustão.

Se partirmos do princípio de que a ascensão da direita, especialmente nos Estados Unidos, pode ser, na visão dos mais progressistas, um período de trevas em muitos aspectos, Bird Box, então, toma outra forma e importância.

Considerando que uma população significativa se rendeu aos pseudoencantos desses extremismos, sem se dar conta de seus prováveis tentáculos, é plausível deduzir que essas mesmas pessoas cometeram um tipo de suicídio, representativo da morte de suas próprias identidades, ilusões e anseios.

A venda, aqui, incorpora ares de uma proteção necessária àquilo que seduz pela aparência, e não pelo seu real conteúdo. Em outras palavras, vendar os olhos funcionaria como um escudo contra os demônios do mundo real, capazes de desestabilizar o que se entende como "bem".

Nesse sentido, o desfecho de Bird Box (não vou contar) se encaixa na ideia de que, de alguma forma, conseguimos encontrar um refúgio em meio ao caos, suficiente para guardar as sementes desse "bem".

Foto: divulgação.

Num mundo tão polarizado, ideológica e politicamente, o filme pode ser assimilado como uma tentativa de influenciar milhões de espectadores sobre como devemos resistir à sedução diabólica dos que ascenderam à política em razão de propostas entendidas como demagogas, impulsionadas por um ambiente caótico.

Temos, portanto, um filme de terror eficiente nas frentes em que ele se propõe: na diversão, por meio de uma história assustadoramente bem contada; e na reflexão social, à medida em que nos apresenta um monstro que, na nossa cabeça, assume a forma que a gente quiser, ou daquilo que a gente mais teme, inclusive a dos nossos líderes.

Para terminar: por que o filme se chama Bird Box (Caixa de Pássaros)? Essa é muito fácil. Quem assistiu, já sabe. Se não for o seu caso, pegue a pipoca e boa sessão.

domingo, 30 de dezembro de 2018

Meu primeiro cruzeiro

Shopping com vista


Fernandinho (Pessoa) já disse que "navegar é preciso, viver não é preciso". Gosto de pensar que ele se referiu à necessidade de manter a vida em movimento, evitando o comodismo.

Viajar é uma das formas de, literalmente, movimentar-se rumo ao conhecimento, a novas experiências, ao prazer de pisar em outros solos.

Fazer um cruzeiro era um desejo antigo que, finalmente, tive a oportunidade de concretizar, ao lado do companheiro Ricardo. Entrar em um navio que mais parece um resort sempre foi a minha ideia de unir descanso com boa alimentação. Nesse quesito, o programa não decepciona.

Em muitos aspectos, porém, fazer um cruzeiro é o mesmo que dar uma volta mais longa em um shopping no fim de semana. O navio também tem ar condicionado, lojas, bares, restaurantes e muita gente.

Assim como os shoppings, os navios precisam de público. Um ponto problemático, já que a meta, muito antes de proporcionar conforto e bem-estar, é colocar o maior número de pessoas a bordo, visando o lucro. 

Multidões sempre nadam contra a maré da proposta inicial: oferecer ao navegante (ou ao consumidor) uma espécie de cidade perfeita e agradável. Com filas até pra pegar lugar perto da piscina, a perfeição fica apenas na vista para o mar.


Engraçado pensar ainda que um grande cruzeiro deixa evidentes certas desigualdades sociais. Enquanto uma elite viaja, está lá a mão de obra barata e explorada (geralmente da Indonésia, Panamá e até do Brasil) para garantir que as mesas e cabines estejam sempre limpas e arrumadas.  

Pelos corredores do navio, fica muito claro que o mandamento é consumir. As bebidas, não incluídas no pacote, são caríssimas. Tudo em dólar. 

Por vezes, a gente esbarra em feirinhas parecidas com as da praia, perto da piscina ou dos bares. No lugar dos populares cacarecos, são oferecidos perfumes, bolsas e relógios importados. Gourmetizaram o calçadão do litoral.

A decoração da maioria dos ambientes beira o excesso, o cafona. Lembra um motel com recursos. Veludo, cortinas, sofás zebrados, tapetes e luminárias dos mais variados tamanhos e formatos.

Pontos altos: as refeições, a cama confortabilíssima, o teatro com programação diária, os golfinhos dando um olá e a cordialidade de alguns funcionários. Porque, acredite, há também os estressados e mal educados.

No geral, foi muito bom. Ver o pôr do sol em meio à imensidão do oceano não tem preço. Conhecer um pouquinho de Buenos Aires (olha a Casa Rosada aí embaixo) e Montevidéu, nas breves paradas, foi igualmente prazeroso. 


Descer do navio, de volta ao Brasil, e pegar o metrô para a rodoviária é um inegável choque de realidade, após uma semana num simulacro de paraíso. A gente se acostuma com o que é bom muito rápido. 

E, apesar das semelhanças, se eu precisar escolher entre um navio e um shopping, escolho navegar de novo. Sem titubear. 

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Vale Oscar?

A verdadeira mensagem 
de "Nasce uma estrela"

Foto: divulgação.

"Nasce uma estrela" vale o ingresso. Ator, atriz, roteiro, trilha, tudo em seu devido lugar.

O filme, porém, vai muito além de uma história de amor com seus ônus e bônus. Trata-se de uma crítica ácida, ainda que nas entrelinhas, à indústria da música.

O papel caiu como uma luva para Lady Gaga, estrela pop que, vez por outra, esperneia com os moldes impostos a ela pela máquina da fama.

No filme, sua personagem, Ally, é uma garota de enorme talento e beleza discutível. Assim que desponta, passa por uma revolução estética, promovida pela gravadora, numa tentativa de padronizá-la para o mercado.

Melhor tradução da cultura de massa não há, à medida em que os artistas vendem seu potencial a empresas interessadas muito mais na estética do que na qualidade das composições.

Ally, que antes cantava as dores do seu mundo particular, passa a entoar versos sobre rebolar até o chão e trocas de mensagens pelo celular com o boy, sob orientação dos novos produtores. As aclamadas e emotivas performances ao piano dão lugar, então, a shows com coreografias sensuais, apoiadas por dançarinas seminuas.

Desse modo, a aura artística se perde em meio às exigências de um mercado superficial que se pauta pela repetição do simples, do hipersexualizado e do vulgar.


É justamente esse movimento da arte ao pop prosaico que incomoda Jack, o músico country interpretado por Bradley Cooper. Ele é o responsável pela descoberta de Ally, a quem aconselha, em vão, a manter a integridade artística.

Enquanto ela explode, ele se afunda no ostracismo regado a álcool.

O contraste entre sucesso e fracasso, delineado pelo casal que se apaixona e se desconecta, é a medida certa para a indústria que premia o mercadologicamente viável em detrimento do talento.

Engraçado pensar que o nascimento de uma estrela se dá, ironicamente, a partir de sua apropriação por um mercado tão nefasto.

No mais, estamos diante de um filme que também é um retrato do amor que, definitivamente, não vence todas as barreiras. Mas sugere que é possível sobreviver a tudo com dignidade. 

Os prêmios que certamente virão são mais do que merecidos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Lições de amor



Em busca de um lar

O jornalismo nos permite mostrar histórias como essas, de pessoas e animais se encontrando numa jornada de afeto e solidariedade. 

É no coração do outro que encontramos um lar.
Por esses momentos, agradeço a Deus pela profissão que escolhi. Falando de como fazer o bem, sem ver a quem, a gente se realiza.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Política das exceções

A mordida no cachorro


No Jornalismo, trabalhamos com a ideia de que a notícia mais apetitosa é sempre aquela que foge à normalidade. Especialmente na TV, é muito mais interessante quando uma pessoa morde um cachorro do que o contrário.

Exageros à parte, os critérios que definem o que é notícia são muito variados. Grosso modo, porém, a busca é pela exceção, aquilo que escapa ao normal. Daí a fama dos jornalistas "carniceiros", sempre presentes nas tragédias, de acidentes a incêndios.

Entenda-se: o incêndio foge à normalidade. Assim como os acidentes e os malfeitos. A norma é a vida, a retidão. A morte e os desmandos são as exceções, os desvios, o que merece (e precisa) ser noticiado. Jornalista trabalha com a denúncia, mostra o erro para justificar o acerto. Assim, pela exceção, procura sustentar a normalidade. Paradoxos.

Na política, especialmente em períodos polarizados como o nosso, os eleitores, assim como os jornalistas, confirmam a busca pela exceção. A massa sempre pende para o lado que mais chama a atenção, de quem representa a resposta mais excepcional às suas aflições. Vale, portanto, a mesma lógica da "mordida no cachorro".

Somos uma democracia historicamente jovem. Olhando para trás, é possível afirmar que a maioria, até agora, almejou dar oportunidade a quem soube se vender melhor como a solução para completar o quebra-cabeças da nação, sempre embaralhado. Houve erros e acertos. 

Isso explica a vitória de FHC, trazendo a tão sonhada estabilidade com o Plano Real. E porque Lula ascendeu à presidência, logo ali atrás, com o seu discurso de empoderar os pobres. Ambos tiveram seu momento na eternidade. 

Em 2018, o protagonista é outro, reflexo do contexto sócio-histórico. Bolsonaro era mais do que previsível num cenário de contornos progressistas carente de um contrapeso. Por mais que os extremistas de esquerda e de direita se agridam, não há muito o que fazer. Seja pelos motivos certos ou errados, foi ele quem se destacou dos demais. 

Para muitos, uma ilusão, um tiro no escuro, diante do histórico do candidato e suas declarações polêmicas. Prefiro me manter otimista com um eventual (e muito provável) governo de Bolsonaro. E compreensivo com quem se recusa, veementemente, a votar no PT.



Já justifiquei neste outro texto aqui porque não voto mais. Consigo vislumbrar, no entanto, porque Bolsonaro está tão perto de comandar o Brasil. Da mesma forma que o jornalista persegue fatos extraordinários, o eleitor, geralmente, respalda aquele que melhor se opõe ao modelo gasto e condenado pela indignação.

Estamos a duas semanas do segundo turno, e o destino desse pleito parece traçado. Tentaram limar Bolsonaro a faca, o que se configurou como uma metáfora do "cachorro mordido", ao reforçar o caráter de excepcionalidade do candidato. Alguém já escreveu que a facada, quando não mata, elege. 

Lamento o lamaçal de erros que se sucedeu ao governo de Lula e que, naturalmente, alimentou o ódio aos petistas. Não sou de esquerda nem um simpatizante da extrema-direita. Desejo apenas que Bolsonaro seja um bom presidente, talvez mais ao centro.

O meu esforço aqui é para que todo mundo perceba que não adianta espernear, xingar, torcer para que tudo dê errado. Há um ensaio, por parte de Bolsonaro, de um discurso unificador. E precisamos acreditar que isso seja possível.

Caso a predileção por ele seja confirmada nas urnas, que aproveite a oportunidade para desmentir os detratores e entregar um Brasil melhor aos brasileiros. 

É o que de fato importa. Se conseguirmos isso, essa será a grande exceção em meio ao nosso já conhecido oceano de mediocridades. Em vez de pensarmos em tudo o que pode dar errado, que tal acreditar, aqui também, numa exceção?

O eleitor está tentando. Uma hora dá certo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Medinho de nada

"A Freira": 
pode correr sem medo


O filme "A Freira" estreou quebrando tudo nas bilheterias e se firmando como mais um sucesso incontestável no universo de "Invocação de Mal". Mas, para quem esperava uma história sombria e realmente assustadora, deparou-se com uma obra de argumentos infantilizados e truques manjados do terror nas telonas. Enfim, ficou devendo. Rola aí pra baixo o meu top 10 dos motivos pra sair correndo dessa freira, sem medo.

1 - "A Freira" era o terror mais aguardado dos últimos dois anos, desde que a personagem apareceu no ótimo "Invocação do Mal 2", sombria e misteriosa. No seu voo solo, foi desperdiçada. Talvez porque James Wan (o pai de "Invocação do Mal"), que deveria ter dirigido o filme, tenha ficado na retaguarda da produção executiva.

2 - Os sustos, através do jump scare, são todos previsíveis. Não apavoram. Deixam apenas aquele sorrisinho amarelo. 

3 - A freira aparece mais quando o filme, graças a Deus, está acabando. Até a maldita dar as caras, tome freirinhas coadjuvantes, cruzes invertidas em chamas e muita neblina no cemitério que rodeia o convento.

4 - O roteiro e o texto parecem ter sido escritos por uma criança de doze anos, acostumada com vídeos do Youtube e conversas de Whatsapp. O argumento usado para explicar a existência do demônio é tolo e fantasioso.

5 - Por conta da linguagem fragmentada (sinal desses tempos internéticos), "A Freira" se salva por umas cinco cenas, aqui e ali, mais pelo apelo estético. Duas das melhores são a do ritual sobre um pentagrama e a da freira na água, porém nada que justifique o ingresso numa sala IMAX, de imersão total, como a que eu escolhi pra ver o filme.


6 - O alívio cômico nos filmes de terror, por meio de um ou mais personagens, vem se tornando muito frequente e irritante. Já vimos isso em "It- A Coisa" e na própria continuação de "Invocação do Mal". Funciona para quebrar a tensão, QUANDO O FILME É TENSO DE VERDADE. 

7 - Também ficou cansativo o discurso do sexo relacionado ao mal, à dúvida, à fraqueza de caráter e à culpa, ingredientes explorados por todo demônio que se preze. O começo e o fim de "A Freira" trazem, ainda que com certa timidez, sugestões eróticas entre os personagens principais, devidamente punidos em consequência disso. Sem mencionar o clichê máximo do mocinho salvando a mocinha nos momentos finais. Já deu.

8 - Os marqueteiros de "A Freira" estão de parabéns! A produção, orçada em 22 milhões de dólares, arrecadou mais do que o dobro disso, só nos Estados Unidos, no primeiro final de semana de exibição. Mérito da propaganda pesada, e não do terror, que fica só na superfície.  

9 - O trailer é muito melhor do que o longa. Acho genial como vende bem uma história que...não se sustenta. 

10 - Por causa do sucesso de bilheteria, já se fala numa sequência para 2020. Pode ajoelhar e começar a rezar por um filme mais empolgante.

**PS: O filme pode ser frustrante, mas eu exijo a bonequinha da freira pra fazer par com meu Freddy Krugger. Quero na minha mesa até o Natal. Fica a dica. 

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Livre

Adeus, Insta!


Colecionamos bons momentos, não tenho dúvidas. Lembra da nossa foto mais curtida, aquela selfie na Praia do Futuro, em Fortaleza? Ficou ótima.

Aos olhos do mundo, éramos um casal interessante. Nosso namoro durou bastante, foram cinco anos! Para os dias de hoje, em que amor pode ser sinônimo de voláteis corações digitalizados, isso é uma vida.

Mas...a vida muda, os sentimentos também, e as peças trocam de lugar, naturalmente. Você evoluiu muito desde que te conheci. Nossos cliques, embora esporádicos, ganharam filtros e um certo charme.

Eu também evoluí. Quando deixei meu caso anterior com aquele tal de Face, você parecia a opção mais leve e agradável nesse mundo "filtrado" pela imagem, do qual nos apropriamos tão bem.

Com os anos, fui percebendo que meu interesse diminuiu, embora estivéssemos mais juntos. Você, cada vez mais solto, colorido, interativo. Eu, na minha, querendo e precisando me autopreservar. Gosto do mistério.

Num último suspiro, tentamos abrir a relação e lucrar com a parceria. O desconto rechonchudo que ganhamos daquele sujeito que vitrificou a pintura do carro, em troca de um post, teria sido maravilhoso, caso eu não tivesse me sentido tão fútil e vendido.

A minha decisão de acabar com a nossa história não surgiu do dia pra noite, é bom que você saiba. Venho amadurecendo minha posição há meses, em silêncio. Finalmente, estou livre.




Não quis dar um tempo pra depois voltar. Não tive medo de errar no meu julgamento ou de confiar cegamente nos meus instintos. Eu tenho certeza. Excluí você definitivamente, e não foi fácil encontrar o caminho. Agora, posso me dedicar a refletir sobre o que vejo, ouço e leio, sem me render à sua demanda por instantaneidade, ansiedade, paquera e consumo. 

"Sacrifícios temporários, conquistas permanentes". Li isso num livro de motivação que se encaixou perfeitamente no nosso emaranhado existencial. Vou sacrificar as ilusões que me proporcionou e os "likes" que pouco me importam por mais serenidade e amadurecimento.

Não fique triste. Você tem companhia de sobra, gente realmente apaixonada, que faz questão de te carregar no bolso, ficar junto toda hora, fazer você de janela para o mundo, sempre sorrindo. Eu fechei a minha, porque gosto de abrir só de vez em quando, para o Sol entrar, junto com alguns poucos que escolhi.

Passear de mãos dadas contigo por esse vasto universo virtual foi delicioso, por um tempo. Cansei. Preciso mudar a rota, de tempos em tempos. Desse novo caminho, desculpa, você não faz parte. 

Guardarei as lembranças com carinho. Aviso, porém, que não vou olhar para trás. Não quero mais pequenos corações de canto, à espera de tentar preencher meus vazios ocasionais. 

Também dispenso os comparativos sociais permanentes que pulsam pela sua superfície. Sinto-me inteiro, com outras possibilidades, mais reais e palpáveis, à minha frente. Estou achando o máximo seguir só de agora em diante.

Um beijo, meu finado Instagram. Fique em paz, porque eu estou. Parei com os "likes". Prefiro comer fruta do pé.