domingo, 26 de fevereiro de 2012

Me poupe

 
Ai, não, para!


Chega dessas fotos mostrando café, sorvete, comida japonesa, porção de batata frita, chega! Você não me engana. Não está tão gostoso quanto parece.
Chega de postar você e o seu morzão, abraçados na ilha da fantasia, na cama dos sonhos, no jardim perfeito da vovó. O que é de verdade não precisa de publicidade nem autoafirmação.
Chega dos flashes com a família dó-ré-mi, você e seu bebê com cara de joelho, gritando para o mundo que ter filhos é padecer no paraíso, enquanto tenta se convencer dese engodo, feito sob medida aos desprovidos de personalidade e culhões.
Chega dos cliques nas festas incríveis, onde você aparece com roupa chique e maquiagem caprichada, tentando provar sua pseudo-beleza a um mundo que adora um photoshop na alma.
Chega das poses com os centenas de amigos no carnaval mais animado, no acampamento mais descolado, no retiro mais harmonioso e na pizzaria mais disputada. Sabia que amigos de verdade, para o que der e vier, são uma lenda?
Chega das frases feitas e pretensiosas, como se você tivesse conquistado alguma sabedoria, algum mérito, como se tivesse lido algum livro relevante. Só sabe repetir, copiar e colar, tem síndrome de papagaio. O verdadeiro conhecimento descansa no silêncio dos que sabem colocá-lo em prática, não no limbo virtual, povoado de ideias vazias e perecíveis.
Chega desse constrangimento de mostrar a todo mundo o que comprou na sua última ida ao shopping. Tem CDs, DVDs, cupcakes, a última temporada de Lost? Preferia ver um episódio ao seu lado, durante uma conversa despida de vaidade, em que me mostraria algo mais abstrato e menos tolo do que essa ânsia besta de exibir a matéria.
Chega de postar essas fotos da despedida cafona da turma do trabalho, a desculpa perfeita para você gritar a plenos pulmões como está sendo fabulosa a sua promoção.  
Chega das charges engraçadinhas. Elas só me arrancam um sorriso amarelo e não são prova alguma de sua suposta espirituosidade. 
Chega do diário do seu cachorro, das fotos de estupradores punidos com a mutilação de seus pênis, das suas sugestões vergonhosas de música e videos. Pior do que isso só mesmo você postando suas fotos ao acordar, em ação no trabalho, comendo pastel, fazendo carão, só para se convencer de que tem charme a qualquer hora. Parou pra pensar que talvez não tenha uma vida?
Ah, me responda: dar bom dia no Face, assim que você abre olhos, ou boa noite, quando bate o sono, não é o cúmulo da dependência, da solidão, do vício e da luta pela sobrevivência? Também vi que, dia desses, mudou seu status para: "Mais feliz, impossível". Para quê? É a prova definitiva de que a felicidade, essa bendita que perseguimos diariamente e que, vez por outra, dá o ar da graça, não faz nem sombra nesse seu universo mambembe, embaçado, desequilibrado, recheado da falsa e incompetente propaganda que cada um faz de si mesmo.
Por que eu estou aqui, então? Pelo blog, embora num momento de hesitação. Para exercitar minha paciência. Para achar graça e tristeza na humanidade. Para me solidarizar com os apaixonados pelos animais, estes, sim, seres iluminados e autênticos. E para discutir as últimas e frívolas novidades sobre a Rainha do Pop. Afinal, como seria possível tanta ojeriza a esse seu planeta se eu mesmo não tivesse uma pitadinha de futilidade?   

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Rainha

Uma aula de pop

Como não estou numa fase muito intelectual nem introspectiva, deixo as vezes com a Rainha. Eu avisei. Madonna voltou. Derrubando tudo, claro. O novo álbum, MDNA, ainda está na pré-venda, mas já alcançou o topo das paradas em cinquenta países. O clipe de "Give me all your luvin´" já ruma aos dez milhões de acessos no Youtube em apenas três dias. E o show no intervalo do Superbowl foi exatamente o que todo mundo esperava: uma aula de pop para mim, para você e para as aspirantes que, algum dia, acreditaram ter alguma chance de tirar o trono dela. É só dar o play e se deslumbrar.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Eu choro

Pelo prazer de compartilhar

Na falta de uma ideia melhor, ou de um sentimento revoltante, deixo vocês com boa música, pelo simples prazer de compartilhar. Não tem absolutamente nada a ver com a minha vida agora, mas vale a pena prestar atenção na letra e melodia, lindas. Uma declaração de amor singela e emocionante. Sempre que ouço, preciso segurar as lágrimas. O mérito aqui é de Lasgo, turminha da eletrônica que estourou na Europa - e depois no mundo - no começo dos anos 2000. Não é pra dançar. Esta é para quem já conheceu um amor de verdade e sofre com a ausência. Enjoy!

domingo, 25 de dezembro de 2011

Vale a pena ver de novo


 Adele 
e a novela das oito

Que Lady Gaga que nada! A ondinha agora é Adele, cantora britânica acima do peso que continua vendendo horrores de seu disco de corna, "21". Prova disso é ver até as faxineiras cantarolando "Someone like you" no ponto de ônibus. Só tem um detalhe: Adele estourou no Brasil depois que a música entrou para a novela das oito (hello, Griselda!). Antes disso, a maioria ouvia "Rolling in the deep" na FM sem fazer muita questão.
Assim, Adele entra para o time de cantoras consagradas momentaneamente pelo plim-plim. Lara Fabian, por exemplo, viveu alguns meses de glória depois que "Love by Grace" foi escolhida como tema da personagem de Caroline Dieckmann, vítima de leucemia. Nos anos 80, Tracy Chapman embalou o romance de Regina Duarte e Antônio Fagundes com "Baby can i hold you" e virou febre nos bailinhos adolescentes. O caso mais trágico e emblemático é o de "I wishing on a star", das Cover Girls, que tocava quando o casal Daniela Perez e Guilherme de Pádua enchia a tela. Daniela foi morta a tesouradas por Pádua no começo da década de 90, com a novela no auge. E a música, que passou a tocar até em quadra de escola de samba, foi apelidada pelos menos sensíveis de "o melô da atriz assassinada".
O que diferencia Adele dessa turma é que a cantora virou unanimidade também no exterior, sem novela, quebrando recordes (releia aqui). A pergunta é a de sempre: até quando?
Os mais otimistas dizem que Adele vai longe simplesmente porque tem talento e boa voz. Os pessimistas, claro, dão mais 15 minutos. Adele é uma dessas cantoras que acontecem no momento certo e conseguem, mesmo sem querer, mudar o cenário musical. Com um punhado de canções sobre o término de seu último relacionamento, ela nadou contra a maré das estrelas pop e fez sucesso vestida, sem arriscar um passo de dança e cantando a dor do amor não correspondido. Quem nunca teve um? 
Musicalmente, a moça é muito competente. O problema de Adele está na imaturidade emocional, talvez este o motivo de ter sido largada pelo ex. Em suas entrevistas, entrega fácil a falta de autoestima e afirma, em alto e bom som, que deixaria tudo o que conquistou para voltar com o namorado, se ele quisesse. Fumante inveterada, declarou que prefere perder a voz a parar de fumar. Resultado? Adele teve hemorragia nas cordas vocais e ainda está se recuperando de uma cirurgia. Não há previsão para a retomada da agenda de shows nem para um próximo disco. Adele é boa, mas teve sorte. Pena que não se dê conta disso. É quase uma Amy Winehouse às avessas. Indiferente ao próprio sucesso, vai terminar sendo esquecida, simplesmente porque não se interessa em tomar as rédeas da própria vida, da carreira, e fazer o que é certo.
Eu já cansei. Até porque conheço Adele desde que lançou "19", há um bom par de anos, e não suporto ver esse auê em torno da fofinha só agora. O tempo vai dizer se vale a pena manter "Set fire to the rain", a minha preferida, no meu mp3. Pelo menos até a próxima novela.     

domingo, 11 de dezembro de 2011

Obra-prima

Nada é
indestrutível
 

Somos bons ou maus? A pergunta que atormenta filósofos, poetas, cineastas e artistas - de Nietzsche a Shakespeare, de Fernando Pessoa a Lars von Trier, de Madonna a Spielberg  - nunca encontrou resposta simples e direta. Mais da metade que votou na enquete do blog respondeu que somos bons, porém corrompidos pela sociedade. 
Friedrich Nietzsche talvez tenha sido o mais feliz até agora em suas observações, por vezes obscuras demais, sobre o mundo. É dele a sentença: "Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas". Dúvidas? 
O cinema é um eficaz laboratório na busca por uma solução ao enigma. Não é preciso ir longe. "Contágio", de Steve Soderbergh, chegou com elenco estelar (Kate Winslet, Gwyneth Paltrow, Laurence Fishburne, Marion Cotillard, Matt Damon e Jude Law) para entreter com o óbvio: o que faríamos diante de uma doença poderosa, com real ameaça de extermínio? No filme, salva-se quem pode, quem tem sorte, contato ou dinheiro. Não há solidariedade, apenas interesse. Inclusive da indústria farmacêutica. 
Em "O Nevoeiro", suspense baseado na obra de Stephen King, a embalagem é diferente, não o conteúdo. No filme, grupo preso em supermercado é obrigado a lidar com criaturas misteriosas. A espessa névoa que encobre tudo ao redor revela a provável natureza humana: má, crua, egoísta, impiedosa, narcisista. Estão lá a fanática religiosa sedenta por difundir sua distorcida visão sobre iluminados e pecadores; os fracos de espírito que mudam de lado conforme a conveniência; os metidos a heroi que acreditam na força e coragem burras como a melhor resposta ao medo e às ameaças; e os calados, que só observam e preferem esperar, apostando na paciência e num certo conformismo. Detalhe: entre mortos e feridos, nem todos se salvam.
Os cineastas mais ousados e inquietos são pessimistas. Almodovar, em "A pele que habito", repete a fórmula e sua mensagem predileta: somos esdrúxulos, anormais, famintos por satisfazer nossos próprios prazeres, seres nivelados por baixo, anestesiados pelo fato de que dominamos o planeta e, portanto, conquistamos o aval da estupidez sem consequência. Antonio Banderas, ótimo no papel de um cirurgião traumatizado pela traição da esposa e pela morte da filha, passa a se dedicar ao propósito de constranger, dominar, abusar, vingar e tentar aplacar a própria dor a qualquer custo, ainda que isso despedace qualquer noção de bom senso. Nietzsche, do alto do seu ceticismo, escreveu: "Torna-te aquilo que és". Evoluímos?
A arte, inclusive o próprio cinema, gosta dos contrários e das contradições. As comédias românticas partem do ingênuo princípio de que somos seres amorosos, confusos, em busca de alguém para compartilhar a vida. As atitudes paralelas, certas ou erradas, seriam frutos das tentativas de acerto. Na música talvez encontremos exemplos mais palpáveis de como exercitamos nossas tendências, inclusive para o amor. As pessoas se apaixonam. Isso, indiscutivelmente, faz maravilhas. Em alguns casos, produz hipocrisias. "Imagine", hino à paz, é de Lennon, que usava drogas e batia em Yoko Ono. Por outro lado, a mesma canção serve de trilha para incontáveis documentários sobre como podemos ser magnânimos em tempos de guerra e fome. Existe, portanto, a possibilidade, mesmo que paradoxal, de amar, ajudar, estender a mão. Ainda que numa análise mais triste, sejamos todos escravos dos instintos mais primários. Nietzsche concorda: "Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal". Quem somos?
Difícil saber se o ser humano é obra controlada pelo Estado, ou se encontra terreno fértil, na micro e na macroesfera, para desenvolver inclinações. Um meio-termo, será? Algumas meias-verdades, no entanto, se aplicam com ligeiro incômodo. Como a de que, para conhecer alguém de fato, basta proporcionar poder e liberdade. Ou impor a luta pela sobrevivência num quarto escuro, junto a outros semelhantes. O resultado pode ser imprevisível. Ou não. Como uma obra de arte. Afinal, como canta Madonna em "Masterpiece", nada é indestrutível. Nem o bem. Nem o mal. Algo ou alguém pode, de repente, transformar a escuridão em luz. Sim, prefiro ser cético, mas jamais perderia a esperança no poder que temos de nos elevar. Muitos estacionam. Poucos, pelos menos estes, alçam voo. Nietzsche concluiu: "Quanto mais nos elevamos, menores parecemos aos olhos daqueles que não sabem voar". Sabemos?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Help

Festa de casamento


Estou puto. Bom sinal. Vamos começar pelas festas de casamento. Não me convide. Se eu for, é por obrigação mesmo, o que não é do meu feitio. A cara feia, ornada com um sorriso amarelo, é minha marca registrada nesse tipo de evento. Este sou eu, honey.
Eu acredito no amor. Não em casamentos, no manual. Não compro a idéia de Julia Roberts em “O Casamento do meu melhor amigo”. Dispenso o clichê. Prefiro a noiva depressiva de “Melancholia”, do Lars von Trier, em que o matrimônio equivale ao fim do mundo.
Estive em dois casamentos no fim de semana. Hipócrita, não! Corajoso. Gosto de confrontar minhas teorias e testar a paciência, enquanto degusto lingüiça mal passada.
No primeiro, fui empurrado. A vida é assim. Se você não pretende morrer sozinho, precisa fazer sacrifícios. A maior prova de amor que ofereço é dar as caras em festa de casamento. O povão bêbado, os salgadinhos, a música ruim, o calor, as juras apaixonadas, o bolo enjoativo, absolutamente tudo me tira do sério. A prática me tornou mestre em controlar a ira, quase sempre recheada com excesso de sinceridade. “Sincericídio” não combina com essas celebrações, turbinadas a ilusão e mau gosto. Quase ninguém percebeu que eu gritava por dentro. Tudo bem, já passou. Felicidades aos noivos, anyway.
O segundo casamento eu vi no cinema. Edward e Bella trocaram votos em “Amanhecer”, quarto filme da saga “Crespúculo”. Odeio, mas assisto. Coisa de cinéfilo-mala. A intenção, ali, é óbvia: convencer os jovens promíscuos, pós-liberação sexual, de que vale a pena se guardar para o verdadeiro amor. Esforço em vão. Todo mundo quer ver o vampiro dando umazinha. Frustrante para quem esperava espiar o traseiro do Robert Pattinson (será que brilha no Sol?) ou pelo menos uma fração do mamilo da Kristen Stewart (será que ela colocou silicone?). "Amanhecer" é trash, constrangedor. Bella toma sangue de canudinho. Até o Taylor Lautner, o único realmente atraente, parece estar de saco cheio e quase já não tira a camisa. A mensagem está clara: casamento não é um mar de rosas. A festa, então, nem se fala. Help!
Por último, e não menos importante, o Facebook. Entrei nessa bagunça, porque quero transformar o blog em livro. Vou compilar algumas das crônicas, as mais ácidas, que escrevi nos últimos 15 anos, desde quando comecei a vociferar meus sentimentos nas páginas de “O Jornal de Batatais”. O Face é para atrair mais seguidores, potenciais parceiros (como a editora “Novo Conceito”) e semear o terreno do projeto. Está funcionando. Para o profissional pode ser útil. Para o pessoal, sorry, é um poço de constrangimento.
É verdade que não sou muito habilidoso com as mídias sociais. Pura falta de interesse. A cada acesso, me dá vontade de reencarnar em outro planeta, onde as pessoas não se casam para cumprir uma missão social e ultrapassada; onde não é preciso provar nada pra ninguém; onde as mamães não postam fotos dos bebês mamando em seus seios inchados; ou beijando seus parceiros, para mostrar que o relacionamento vai bem; onde Luana Piovani não exibe seus “pés de pãozinho", às vésperas de parir; e onde a humanidade possa existir de fato, sem ferramentas virtuais que prometem companhia e popularidade, mas que só aumentam a sensação de ridículo e de que estamos nos vendendo barato demais para fazer parte de um grupo.
Pronto. Agora vou devorar um sanduba, ouvir "Moves like Jagger", do Maroon Five (tuda!) e rever "Lua de Fel". Sim, a vida compensa. 

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Me dê todo o seu amor

A nova da Madonna


Gente, oi. O texto nervoso ainda está em processo de amadurecimento. Enquanto isso, se joga aqui na nova da rainha (dá um play no "Escuta só" aí do lado e aumente o volume). Vazou, e eu adorei. Não tem a força de "Vogue", "Like a Prayer" ou "Frozen". Até lembra um pouco a Avril Lavigne, mas tá valendo. É pop-chiclete muito bem feito, perfeito para o retorno da diva às rádios norte-americanas e para a aguardada apresentação no Superbowl. Já estou ensaiando meus passos de líder de torcida!

E ainda me perguntam porque, afinal, eu gosto tanto dessa mulher. 
Quando essa música tocar na boate, e você estiver subindo pelas paredes, lembre-se de mim. É o primeiro single do super-disco de Madonna, que está quase pronto.
E vem turnê-monstro por aí. Se não gosta de jeito nenhum, vá para a Lua. 
Beijo para todos os fãs da absoluta. 
Let´s dance our lives away!


**Para quem curtiu, corre neste link.
O Barbous manda bem nos remixes.