terça-feira, 12 de junho de 2018

12 de junho

A gente escolhe

Imagem: https://www.expertnoamor.com.br/inseguranca-no-namoro/

Neste "Dia dos Namorados", nenhuma surpresa. Pencas de casais nas redes sociais celebrando o amor. Se você é desses que avalia o mundo pelo Instagram, então vai achar que o mundo está casado. Bobagem.

Os solteiros, arrisco a dizer, são maioria. O que acontece é que ficam intimidados e botam um pezinho na depressão quando se deparam com tanto "mela-mela". Entendo, mas é pura insegurança. A vida, sendo casado ou não, pode ser fabulosa.

Preferi fazer um post sobre o amor além das selfies. Defendo que é importante se amar primeiro (com toda a complexidade que essa descoberta envolve), antes de se meter num namoro. Aquele blá, blá, blá de autoestima que eu adoro. 

Choque: alguns seguidores deram unfollow imediatamente. Suponho que sejam os desprovidos de amor próprio e que gostam de um "relacionamento-tampão" pra disfarçar a solidão e outros demônios. Tá tudo bem, vão com Deus.

Pelo viés feminino, o 12 de junho ganha outra perspectiva. Muitas comentaram o post com entusiasmo, e não foram só as solteiras. Isso me encheu de esperança. Tem gente que pensa.

Aí me lembrei de outras mulheres que ainda pensam miúdo no universo amoroso. Famosas inclusive. 


A saudosa Whitney Houston cantava a independência emocional, mas fazia o contrário na vida privada. "It's not right but it's ok" é o hino da mulher que não aceita qualquer um nem qualquer coisa. No casamento com Bobby Brown, no entanto, Whitney apanhava e se afundou nas drogas. I will always love you até perde o sentido.

E não são apenas as mulheres que apostam as fichas em ciladas. Os homens também. É compreensível, porque a cobrança é real. 

A enxurrada de selfies de casais é o exemplo mais prosaico (e atual) dessa sociedade que só valoriza quem está acompanhado. E se esquece de que um relacionamento nem sempre é sinônimo de felicidade.

Uma seguidora me mandou um direct, dizendo que estava triste até ler o meu post sobre tocar a vida com alegria, com ou sem namorado. Abri um sorriso.

Logo depois, uma colega chegou perto e reclamou dos pombinhos nas redes sociais. O excesso de romantismo a deixou deprimida. E assim segue o mundo: bipolar. 

Lá vai clichê: se você não tem namorado, e quer um, relaxa. O amor acontece quando menos se espera, quando a gente está bem, sem "mimimi". De amor a gente precisa. Mas o relacionamento a gente escolhe. Beijos de luz.

sexta-feira, 1 de junho de 2018

Para inglês ver

Casamento REAL?


Os pombinhos Harry e Meghan já se casaram tem um tempo, diante dos olhos marejados do mundo, mas só agora venho a público expor o que, pelo menos a mim, soa como uma farsa bem enfeitada. São cinco observações nada românticas. Respira fundo e vai!

1 - Príncipe tem de seguir a tradição e se casar, gente. O ruivinho ficou com medo de passar da hora. Uma bobagem, é verdade. Mas, na monarquia, "ficar pra titio" ainda pega mal. Meghan, então, foi a bela mulher que apareceu na hora e lugar certos. 

2 - Filha de mulher negra, a noiva também é atriz de costumes contemporâneos. Era tudo o que a rainha queria para mostrar ao planeta que, apesar de tradicional, o reino também pode acompanhar o bonde da modernidade.

3 - Assim como a cúpula católica elegeu o descolado Papa Francisco para dar nova cara à Igreja (e, assim, parar a sangria de fiéis), a monarquia britânica escolheu seu casal vanguardista, pra não sair de moda.  

4 - Saca esse detalhe: pouco antes do famigerado "sim", uma leitura labial mais atenta revelou que Harry disse a seguinte frase à sua futura esposa: "Você está linda, eu tenho muita sorte". Suspirou, né? Pra mim, foi de propósito, só para inglês (e o mundo) ver. E vamos combinar que a noiva não estava lá nenhuma Lady Di.

5 - Moral da história: por mais que se tente dar um F5 no casamento, seja da realeza ou da plebe, não cola. O conto do príncipe e da princesa é a catarse perfeita para uma sociedade que ainda se ilude com o "felizes para sempre", mesmo sabendo que o "para sempre" sempre acaba (MPB feelings). União estável ou morar cada um no seu apê, nem pensar, né? Tá.

Aos que me acham demasiadamente cínico, peço calma e um chocolate. Sempre digo: acredito no amor. Só não deposito fé nesse teatro falido das convenções. Não nego que existe uma (remota) possibilidade de que o ruivinho e sua eleita estejam, de fato, apaixonados. O problema é a embalagem, descolada de seu tempo. 

REAL mesmo foi a Diana, mãe do Harry, que se divorciou, expôs sua tristeza, fez ruir o castelo de areia do reino perfeito e, tragicamente, morreu querendo ser apenas humana. O resto é fake. Ah, antes que eu me esqueça...Deus salve a rainha!

Do lado de cá

Vida de jornalista


A greve dos caminhoneiros foi a prova cabal de que vida de jornalista está longe, mas muito longe mesmo, de ser glamourosa.

Os vídeos de manifestantes colocando fogo nos carros de algumas emissoras são apenas a ponta do iceberg de uma realidade alimentada pela paranoia.

Primeira coisa: ninguém estava contra a greve. Nem a Globo. As reportagens deixaram isso claro e em momento algum vilanizaram os grevistas.

Segundo: a maioria dos caminhoneiros entendeu e tratou a gente com respeito. Mas houve uma minoria barulhenta. Colegas meus, entre repórteres, motoristas e cinegrafistas, foram agredidos, verbal e/ou fisicamente.

De microfone em punho, fui xingado mais de uma vez por gente que, quero acreditar, nem se dava ao trabalho de assistir à nossa cobertura na TV, sempre generosa com o movimento.

O que muita gente precisa saber é que não existe, da nossa parte, ninguém mancomunado com este ou aquele lado. Nessas horas, o que rola é a informação que transborda de todos os cantos.

A nossa missão é falar com todo mundo e dar um tratamento adequado à linguagem. A notícia não tem dois lados, como se presume. Tem vários.


Repórter não pode abrir o microfone só para um lado e abafar o outro. Temos a obrigação de ouvir quem parou de trabalhar, escutar seus motivos e reivindicações. 

Assim como temos de buscar a notícia nas outras pontas, sejam elas o governo, os comerciantes, os agricultores ou os motoristas que ficaram sem gasolina. 

Há uma falsa percepção, inclusive respaldada por algumas teorias do jornalismo, de que a imprensa é movida unicamente por interesses políticos escusos. 

Diante dos acontecimentos, o que vi foi um batalhão de jornalistas tentando passar a informação mais isenta possível. 

Graças ao que se viu na TV e nos jornais, em se tratando das consequências da greve, a pressão chegou. E a pauta foi atendida.

Não adianta bater na gente, xingar, botar fogo em carro e pedir intervenção militar. Até porque, numa ditadura, não é só a livre imprensa que cai. Caem junto os direitos individuais e os coletivos, INCLUSIVE O DE GREVE, garantido hoje pela Constituição.

Aplausos, aqui, aos caminhoneiros de bem que, unidos, provaram a sua força, sem violência, e deram um exemplo digno à sociedade. Estamos todos juntos na luta por um país melhor.

E meus cumprimentos aos colegas de imprensa que se arriscaram para levar os fatos (e não porrada) a quem precisava decifrar as múltiplas ramificações desse momento histórico. 

Paz.

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Com amor

Valeu, Simon!


Existem duas formas de analisar "Com amor, Simon", em cartaz no Brasil. A primeira: muito água com açúcar para retratar a rotina de um jovem homossexual enrustido.

A segunda (e a que mais me interessa): é um filme que, de tão alegre, pode, paradoxalmente, ser um divisor de águas no jeito como os gays são retratados na telona.

Hollywood, convenhamos, sempre foi cruel com a turma do arco-íris. Ou a moçada é motivo de piada, ou morre de Aids, ou é discriminada até pelo cachorro.

Desta vez (oba!), o filme é feliz, um indício animador de que a realidade, antes tão estigmatizada, está mudando. Para melhor.

"Com amor, Simon" é baseado em um livro e tornou-se um filme despretensioso na forma e timidamente ambicioso no conteúdo, sob a batuta do diretor Greg Berlanti.

Simon, interpretado pelo simpático Nick Robinson, é um jovem gay com o dilema clássico: sair ou não do armário? 

Entre algumas lágrimas e muitos sorrisos, a história transcorre com uma mensagem sensata: a de que não importa a orientação sexual, e sim o caráter.

O personagem, portanto, sofre muito mais quando age com malícia do que pelo fato de gostar de rapazes.

O filme também brinca, de maneira leve, com alguns estereótipos equivocados acerca do universo colorido. Por exemplo, o de que os homossexuais são sempre afeminados, ou o de que todos os rapazes transam entre si, simplesmente porque são gays.

Simon faz o tipo heteronormativo: comporta-se como um homem heterossexual, o que não o impede de circular entre seus pares mais alegres.



A trilha do filme é uma belezinha, baseada no som deliciosamente cafona dos anos 1980 e 1990. 

E, nem de longe, o personagem sente o peso do preconceito da família ou fanáticos religiosos. Pelo menos no cinema, o mundo é tolerante e carinhoso com os diferentes.

"Com amor, Simon" é surpreendentemente pra cima e trata do tema com a naturalidade que falta, por exemplo, às novelas da Globo. Simon ainda se dá bem no final, transformado pelo amor que recebe, não pelo ódio.

"O problema de se assumir para o mundo é...e se o mundo não gostar de você?", ele pergunta. Fique tranquilo, garoto. Considerando os 40 milhões de dólares que o filme arrecadou só na terra do homofóbico Trump, eu arrisco a dizer que muita gente curtiu.

Valeu, querido.

domingo, 8 de abril de 2018

Horror e doçura

Silêncio e som na caixa


Não nego meu horóscopo nem nas preferências. Geminiano é assim: ama filme de terror e se derrete com música romântica. Aceita. Primeiro, o terror.

Fui ver "Um lugar silencioso" no cine. Já é, sem exagero, um dos melhores filmes de monstro a que já assisti. As influências de "Sinais", de Shayamalan, são nítidas, dos milharais ao suspense que prioriza a sugestão em detrimento do explícito. 

E o núcleo infantil, excelente, reforça a tendência "Stranger Things" em tudo o que Hollywood produz atualmente no gênero.

O padrão de qualidade de "Um lugar silencioso" também pode ser comprovado pela atuação da sempre maravilhosa Emily Blunt, que me cativou lá atrás, em "O Diabo Veste Prada", e dá mais uma surra de talento aqui. Detalhe: o parceiro dela na telona, John Krasinski, também é o diretor do filme e marido na vida real.

Não vou dar spoiler. Só digo que "Um lugar silencioso" tem cenas memoráveis, num show de terror tipo B bem executado.

Pensem no seguinte: mundo pós-apocalíptico, ETs cegos, com super-audição, prontos a matar o que encontrarem pela frente. Parece trash? Não é! A cena da Emily na banheira, durante um parto, sem poder gritar, é de chorar junto.

E o final? Posso aplaudir?

Agora, a doçura. Já ouviram Cam, minha nova melhor amiga? Deixa eu apresentar.


Camaron Ochs é a mais recente fofura da música country norte-americana. Ninguém me fisgava assim desde Shania Twain.

A "embalagem" de Cam é cativante, no melhor estilo vintage: olhos azuis, cachos platinados e músicas caprichadas na simplicidade que flertam com o pop. 

A loira fala de corações partidos, sem soar dramática ou cafona, ao contrário do nosso discutível sertanejo universitário. 

O primeiro single do novo disco da linda (programado para este ano) é a engraçadinha "Daiane". Na letra, Cam pede desculpas à amiga por ter ficado com o marido dela, sem saber que eram casados. Pura ficção e diversão garantida, inspirada na lenda country Dolly Parton.

Porém, a faixa que me deixou de quatro (opa!) é "Mayday", do disco de 2015, o ótimo "Untamed". A música é, novamente, sobre o fim de um romance, tema imposto pelo campo discursivo desse gênero musical.

Atenção para os signos linguísticos que pontuam o videoclipe para representar o declínio do relacionamento e a retomada da independência emocional.

No vídeo, Cam assume, sozinha, a pilotagem de um avião (sua vida), até então compartilhado com alguém que ela não ama mais. A aeronave cai no mar (de incertezas), ela quase se afoga (na depressão pós-término), pede socorro (mayday) e, por fim, consegue emergir. É assim que a banda toca. E como toca bem. 

Dá uma bizoiada aí embaixo e se renda a essa promissora sobremesa da música internacional. Cam, meu docinho, canta aí pro povo se deliciar com o seu bom gosto. Me mata de orgulho e me liga depois. Te amo. Beijos.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Excesso de opção

A janela das ilusões

Imagem: http://asemanacuritibanos.com.br

Eu conversava com a minha irmã outro dia sobre o excesso de oferta que nos atormenta hoje. É incrível como as redes sociais dão a impressão de que o mundo é vasto demais pra caber na nossa realidade. Seja pelos retratos felizes da vida alheia, seja pelo apelo sexual constante.

Não me surpreende que tanta gente sofra de depressão, diante de tamanha ansiedade e sensação de impotência. Fato: não dá pra ter tudo. Melhor apreciar a internet, essa ampla janela de ilusões, com moderação e pé no chão.

No campo amoroso, a situação é mais crítica. As prateleiras virtuais nos dão a falsa percepção de que temos um açougue à nossa frente, com carne de primeira. Basta entrar e escolher. Hoje, deixa eu ver, quero filé mignon. A verdade é que a maioria acaba comendo pescoço de galinha. É aquela história da expectativa x realidade.

Todo mundo sabe (ou pelo menos deveria) que não dá pra esperar muita coisa das paqueras de boate e, especialmente, dos aplicativos que se configuram como uma promessa de um provável relacionamento. A questão não é demonizar ou exaltar essa alternativa de sexo fácil. É mais um lance de ponto de vista e mudança de perspectiva. 

Pessoas interessantes, via de regra, não podem ser encontradas em noites mundanas, muito menos numa clicada. São difíceis de achar. Aquelas capazes de despertar paixão e admiração, então, parecem ter migrado para outra dimensão.

O cenário que se apresenta é de uma ironia fina e dolorida. Diante de tanta opção, relutamos em escolher. Por que me ajeitar com alguém, se ali fora, ou mesmo a um clique de distância, posso experimentar algo diferente e, quem sabe, mais excitante? Por que namorar uma única pessoa se posso ter o mundo? Ou quase?

https://lolahaus.wordpress.com

A tentação de tentar um pouco de tudo, só que ao mesmo tempo, é real. É preciso muito autocontrole para equilibrar a estabilidade de um relacionamento com a vontade de dar uma escapulida com aquele gatinho ou gatinha se oferecendo no app. Afinal, faz bem para o ego saber que há, logo ali, mais interessados em potencial do que o parceiro oficial.

Sobre o excesso de opções, já me resolvi há algum tempo. Não quero ter tudo. Nem me interesso por tudo. Entre a excitação do barulho e o conforto do ninho, prefiro o colo quietinho da intimidade, com direito a cafuné e cheirinho de café pela manhã. De vez em quando, sou super a favor de temperar com um agito aqui e ali. Mas não tem jeito, troco fácil todos os apps do mundo pelo sofá, ao lado de quem pode me oferecer o que a internet jamais vai conseguir: o mundo real.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Rápidas e bobinhas

Vai vendo

Foto: Divulgação.

Eu ando meio sem saco pra escrever. É fase. Mas estou lendo mais, o que é bom, reflexo direto de uma profunda mudança de caminhos e sentimentos. Voltarei às palavras mais densas. Por enquanto, bora falar de algumas bobagens.

No cinema, vi um monte de coisa legal. O musical "O Rei do Show", por exemplo, é um entre tantos libelos recentes pelo combate ao preconceito em todas as suas formas (vide "A forma da água", favorito ao Oscar, que nos deixa na torcida pela criatura). 

Pensa num circo no melhor estilo "freakshow", em que todos, incluindo a mulher barbada, exigem e merecem respeito. As músicas, entre elas a emocionante balada "Never Enough", são o ponto forte de "O Rei do Show", um conto de fadas raso, porém divertido. Até o Zac Efron conseguiu disfarçar a famosa canastrice.

O discurso da inclusão, aliás, já circula em outras manifestações midiáticas, como a publicidade. As mais recentes propagandas da Coca (com a drag Pabllo Vittar) e da Skol (que só desce redondo quando ninguém é discriminado) são sintomas de uma mudança mercadológica e social mais do que bem-vinda. Viva o texto criativo e agregador, pilar da comunicação atual.

Vi também "Sobrenatural 4", um bom terror, menos sobre espíritos e mais sobre os demônios da vida real: assassinos, rancores familiares e políticas rasteiras. Pronto. Ainda dá medinho de fantasma? Eis a mensagem deste filme, que ainda dá uns bons sustos. E a Elise, protagonista, é simplesmente uma velhinha porreta e digna.

Musicalmente, ando passeando por extremos, do pop romântico ao eletrônico. Deixo aqui duas sugestões de hinos que beiram a perfeição. A primeira delas eu escuto no fone, enquanto corro na marginal perto de casa. Até que funciona! É tema de "Cinquenta tons de liberdade" e tem uma atmosfera inebriante. O clipe é lindo. A dupla aí ajuda. Escuta logo, vai. 


A segunda sugestão não tem vídeo e áudio disponíveis, porque a chata da Taylor Swift só liberou no Spotify. É "Delicate", uma faixa tão trabalhada no bom gosto que dispensa mais comentários. Procura e se vira pra ouvir, vale a pena.

Em tempo: o disco novo da Palmita (como Taylor é chamada por seus detratores, por causa da aparência muito branca e longilínea) não é tão bom. "Reputation" está aquém da pérola que foi "1989". Mas "Delicate" e mais um par de músicas compensam o disco inteiro.

Despeço-me com a classe de Hilda Hilst, cujas crônicas têm me feito companhia ultimamente. É dela uma das observações mais límpidas sobre a vida, avessa a definições engessadas. Do jeito que eu gosto.

"A vida é crua. Faminta como bico dos corvos. E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima, olho d'água, bebida. A vida é líquida".