terça-feira, 6 de novembro de 2018

Vale Oscar?

A verdadeira mensagem 
de "Nasce uma estrela"

Foto: divulgação.

"Nasce uma estrela" vale o ingresso. Ator, atriz, roteiro, trilha, tudo em seu devido lugar.

O filme, porém, vai muito além de uma história de amor com seus ônus e bônus. Trata-se de uma crítica ácida, ainda que nas entrelinhas, à indústria da música.

O papel caiu como uma luva para Lady Gaga, estrela pop que, vez por outra, esperneia com os moldes impostos a ela pela máquina da fama.

No filme, sua personagem, Ally, é uma garota de enorme talento e beleza discutível. Assim que desponta, passa por uma revolução estética, promovida pela gravadora, numa tentativa de padronizá-la para o mercado.

Melhor tradução da cultura de massa não há, à medida em que os artistas vendem seu potencial a empresas interessadas muito mais na estética do que na qualidade das composições.

Ally, que antes cantava as dores do seu mundo particular, passa a entoar versos sobre rebolar até o chão e trocas de mensagens pelo celular com o boy, sob orientação dos novos produtores. As aclamadas e emotivas performances ao piano dão lugar, então, a shows com coreografias sensuais, apoiadas por dançarinas seminuas.

Desse modo, a aura artística se perde em meio às exigências de um mercado superficial que se pauta pela repetição do simples, do hipersexualizado e do vulgar.


É justamente esse movimento da arte ao pop prosaico que incomoda Jack, o músico country interpretado por Bradley Cooper. Ele é o responsável pela descoberta de Ally, a quem aconselha, em vão, a manter a integridade artística.

Enquanto ela explode, ele se afunda no ostracismo regado a álcool.

O contraste entre sucesso e fracasso, delineado pelo casal que se apaixona e se desconecta, é a medida certa para a indústria que premia o mercadologicamente viável em detrimento do talento.

Engraçado pensar que o nascimento de uma estrela se dá, ironicamente, a partir de sua apropriação por um mercado tão nefasto.

No mais, estamos diante de um filme que também é um retrato do amor que, definitivamente, não vence todas as barreiras. Mas sugere que é possível sobreviver a tudo com dignidade. 

Os prêmios que certamente virão são mais do que merecidos.

sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Lições de amor



Em busca de um lar

O jornalismo nos permite mostrar histórias como essas, de pessoas e animais se encontrando numa jornada de afeto e solidariedade. 

É no coração do outro que encontramos um lar.
Por esses momentos, agradeço a Deus pela profissão que escolhi. Falando de como fazer o bem, sem a ver quem, a gente se realiza.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Política das exceções

A mordida no cachorro


No Jornalismo, trabalhamos com a ideia de que a notícia mais apetitosa é sempre aquela que foge à normalidade. Especialmente na TV, é muito mais interessante quando uma pessoa morde um cachorro do que o contrário.

Exageros à parte, os critérios que definem o que é notícia são muito variados. Grosso modo, porém, a busca é pela exceção, aquilo que escapa ao normal. Daí a fama dos jornalistas "carniceiros", sempre presentes nas tragédias, de acidentes a incêndios.

Entenda-se: o incêndio foge à normalidade. Assim como os acidentes e os malfeitos. A norma é a vida, a retidão. A morte e os desmandos são as exceções, os desvios, o que merece (e precisa) ser noticiado. Jornalista trabalha com a denúncia, mostra o erro para justificar o acerto. Assim, pela exceção, procura sustentar a normalidade. Paradoxos.

Na política, especialmente em períodos polarizados como o nosso, os eleitores, assim como os jornalistas, confirmam a busca pela exceção. A massa sempre pende para o lado que mais chama a atenção, de quem representa a resposta mais excepcional às suas aflições. Vale, portanto, a mesma lógica da "mordida no cachorro".

Somos uma democracia historicamente jovem. Olhando para trás, é possível afirmar que a maioria, até agora, almejou dar oportunidade a quem soube se vender melhor como a solução para completar o quebra-cabeças da nação, sempre embaralhado. Houve erros e acertos. 

Isso explica a vitória de FHC, trazendo a tão sonhada estabilidade com o Plano Real. E porque Lula ascendeu à presidência, logo ali atrás, com o seu discurso de empoderar os pobres. Ambos tiveram seu momento na eternidade. 

Em 2018, o protagonista é outro, reflexo do contexto sócio-histórico. Bolsonaro era mais do que previsível num cenário de contornos progressistas carente de um contrapeso. Por mais que os extremistas de esquerda e de direita se agridam, não há muito o que fazer. Seja pelos motivos certos ou errados, foi ele quem se destacou dos demais. 

Para muitos, uma ilusão, um tiro no escuro, diante do histórico do candidato e suas declarações polêmicas. Prefiro me manter otimista com um eventual (e muito provável) governo de Bolsonaro. E compreensivo com quem se recusa, veementemente, a votar no PT.



Já justifiquei neste outro texto aqui porque não voto mais. Consigo vislumbrar, no entanto, porque Bolsonaro está tão perto de comandar o Brasil. Da mesma forma que o jornalista persegue fatos extraordinários, o eleitor, geralmente, respalda aquele que melhor se opõe ao modelo gasto e condenado pela indignação.

Estamos a duas semanas do segundo turno, e o destino desse pleito parece traçado. Tentaram limar Bolsonaro a faca, o que se configurou como uma metáfora do "cachorro mordido", ao reforçar o caráter de excepcionalidade do candidato. Alguém já escreveu que a facada, quando não mata, elege. 

Lamento o lamaçal de erros que se sucedeu ao governo de Lula e que, naturalmente, alimentou o ódio aos petistas. Não sou de esquerda nem um simpatizante da extrema-direita. Desejo apenas que Bolsonaro seja um bom presidente, talvez mais ao centro.

O meu esforço aqui é para que todo mundo perceba que não adianta espernear, xingar, torcer para que tudo dê errado. Há um ensaio, por parte de Bolsonaro, de um discurso unificador. E precisamos acreditar que isso seja possível.

Caso a predileção por ele seja confirmada nas urnas, que aproveite a oportunidade para desmentir os detratores e entregar um Brasil melhor aos brasileiros. 

É o que de fato importa. Se conseguirmos isso, essa será a grande exceção em meio ao nosso já conhecido oceano de mediocridades. Em vez de pensarmos em tudo o que pode dar errado, que tal acreditar, aqui também, numa exceção?

O eleitor está tentando. Uma hora dá certo.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Medinho de nada

"A Freira": 
pode correr sem medo


O filme "A Freira" estreou quebrando tudo nas bilheterias e se firmando como mais um sucesso incontestável no universo de "Invocação de Mal". Mas, para quem esperava uma história sombria e realmente assustadora, deparou-se com uma obra de argumentos infantilizados e truques manjados do terror nas telonas. Enfim, ficou devendo. Rola aí pra baixo o meu top 10 dos motivos pra sair correndo dessa freira, sem medo.

1 - "A Freira" era o terror mais aguardado dos últimos dois anos, desde que a personagem apareceu no ótimo "Invocação do Mal 2", sombria e misteriosa. No seu voo solo, foi desperdiçada. Talvez porque James Wan (o pai de "Invocação do Mal"), que deveria ter dirigido o filme, tenha ficado na retaguarda da produção executiva.

2 - Os sustos, através do jump scare, são todos previsíveis. Não apavoram. Deixam apenas aquele sorrisinho amarelo. 

3 - A freira aparece mais quando o filme, graças a Deus, está acabando. Até a maldita dar as caras, tome freirinhas coadjuvantes, cruzes invertidas em chamas e muita neblina no cemitério que rodeia o convento.

4 - O roteiro e o texto parecem ter sido escritos por uma criança de doze anos, acostumada com vídeos do Youtube e conversas de Whatsapp. O argumento usado para explicar a existência do demônio é tolo e fantasioso.

5 - Por conta da linguagem fragmentada (sinal desses tempos internéticos), "A Freira" se salva por umas cinco cenas, aqui e ali, mais pelo apelo estético. Duas das melhores são a do ritual sobre um pentagrama e a da freira na água, porém nada que justifique o ingresso numa sala IMAX, de imersão total, como a que eu escolhi pra ver o filme.


6 - O alívio cômico nos filmes de terror, por meio de um ou mais personagens, vem se tornando muito frequente e irritante. Já vimos isso em "It- A Coisa" e na própria continuação de "Invocação do Mal". Funciona para quebrar a tensão, QUANDO O FILME É TENSO DE VERDADE. 

7 - Também ficou cansativo o discurso do sexo relacionado ao mal, à dúvida, à fraqueza de caráter e à culpa, ingredientes explorados por todo demônio que se preze. O começo e o fim de "A Freira" trazem, ainda que com certa timidez, sugestões eróticas entre os personagens principais, devidamente punidos em consequência disso. Sem mencionar o clichê máximo do mocinho salvando a mocinha nos momentos finais. Já deu.

8 - Os marqueteiros de "A Freira" estão de parabéns! A produção, orçada em 22 milhões de dólares, arrecadou mais do que o dobro disso, só nos Estados Unidos, no primeiro final de semana de exibição. Mérito da propaganda pesada, e não do terror, que fica só na superfície.  

9 - O trailer é muito melhor do que o longa. Acho genial como vende bem uma história que...não se sustenta. 

10 - Por causa do sucesso de bilheteria, já se fala numa sequência para 2020. Pode ajoelhar e começar a rezar por um filme mais empolgante.

**PS: O filme pode ser frustrante, mas eu exijo a bonequinha da freira pra fazer par com meu Freddy Krugger. Quero na minha mesa até o Natal. Fica a dica. 

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Livre

Adeus, Insta!


Colecionamos bons momentos, não tenho dúvidas. Lembra da nossa foto mais curtida, aquela selfie na Praia do Futuro, em Fortaleza? Ficou ótima.

Aos olhos do mundo, éramos um casal interessante. Nosso namoro durou bastante, foram cinco anos! Para os dias de hoje, em que amor pode ser sinônimo de voláteis corações digitalizados, isso é uma vida.

Mas...a vida muda, os sentimentos também, e as peças trocam de lugar, naturalmente. Você evoluiu muito desde que te conheci. Nossos cliques, embora esporádicos, ganharam filtros e um certo charme.

Eu também evoluí. Quando deixei meu caso anterior com aquele tal de Face, você parecia a opção mais leve e agradável nesse mundo "filtrado" pela imagem, do qual nos apropriamos tão bem.

Com os anos, fui percebendo que meu interesse diminuiu, embora estivéssemos mais juntos. Você, cada vez mais solto, colorido, interativo. Eu, na minha, querendo e precisando me autopreservar. Gosto do mistério.

Num último suspiro, tentamos abrir a relação e lucrar com a parceria. O desconto rechonchudo que ganhamos daquele sujeito que vitrificou a pintura do carro, em troca de um post, teria sido maravilhoso, caso eu não tivesse me sentido tão fútil e vendido.

A minha decisão de acabar com a nossa história não surgiu do dia pra noite, é bom que você saiba. Venho amadurecendo minha posição há meses, em silêncio. Finalmente, estou livre.




Não quis dar um tempo pra depois voltar. Não tive medo de errar no meu julgamento ou de confiar cegamente nos meus instintos. Eu tenho certeza. Excluí você definitivamente, e não foi fácil encontrar o caminho. Agora, posso me dedicar a refletir sobre o que vejo, ouço e leio, sem me render à sua demanda por instantaneidade, ansiedade, paquera e consumo. 

"Sacrifícios temporários, conquistas permanentes". Li isso num livro de motivação que se encaixou perfeitamente no nosso emaranhado existencial. Vou sacrificar as ilusões que me proporcionou e os "likes" que pouco me importam por mais serenidade e amadurecimento.

Não fique triste. Você tem companhia de sobra, gente realmente apaixonada, que faz questão de te carregar no bolso, ficar junto toda hora, fazer você de janela para o mundo, sempre sorrindo. Eu fechei a minha, porque gosto de abrir só de vez em quando, para o Sol entrar, junto com alguns poucos que escolhi.

Passear de mãos dadas contigo por esse vasto universo virtual foi delicioso, por um tempo. Cansei. Preciso mudar a rota, de tempos em tempos. Desse novo caminho, desculpa, você não faz parte. 

Guardarei as lembranças com carinho. Aviso, porém, que não vou olhar para trás. Não quero mais pequenos corações de canto, à espera de tentar preencher meus vazios ocasionais. 

Também dispenso os comparativos sociais permanentes que pulsam pela sua superfície. Sinto-me inteiro, com outras possibilidades, mais reais e palpáveis, à minha frente. Estou achando o máximo seguir só de agora em diante.

Um beijo, meu finado Instagram. Fique em paz, porque eu estou. Parei com os "likes". Prefiro comer fruta do pé.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Madonna, 60

A grande incompreendida

Madonna, by Romero Brito.
Imagem em: https://flog.vip/verluci/12450875

Eis que chegamos a este dia: 16 de agosto de 2018. Há exatos 60 anos, nascia Madonna. Preciso aproveitar a deixa para colocar alguns pingos nos "is". Em alguns casos, desenhar para quem ainda não entendeu como essa mulher, hoje praticamente uma lisboeta (entendedores entenderão), traçou (e ainda traça) contornos indeléveis nesta sociedade conturbada e carente de líderes de verdade.

Primeira lição: não sou um fã, desses inconsequentes, cegos, incautos. Sou um estudioso de Madonna. Fiz pós-graduação em Linguagens Midiáticas e Mestrado em Linguística, tendo como pano de fundo a obra riquíssima e contraditória da rainha do pop. Traduzindo: eu sei do que falo.

Em quase 35 anos de carreira, Madonna serviu como fio condutor para inúmeras transformações sociais que extrapolam o pop, entre elas a liberação sexual pós-Aids (com camisinha), o respeito às minorias (negros, gays), o empoderamento feminino (sem queimar sutiã) e a liberdade de gênero e pensamento.

Tudo o que se verbaliza hoje, em tons berrantes, seja nas redes sociais ou fora delas, Madonna já falou e continua falando. Do feminismo de batom à homofobia, passando pelo racismo e pelo sexismo, nomeie. Madonna se apoderou desses discursos desde os anos 1980, com propriedade e ousadia, no verbo e na arte.

A cantora durante show, este ano, no baile anual do Met Gala.
Foto em: https://www.breatheheavy.com/hallelujah-watch-madonnas-surprise-performance-at-the-met-gala/

A cartilha seguida à risca pelas cantoras pop contemporâneas (nos discos, nas roupas, nos discursos e nos shows), Madonna escreveu na raça. Ela não é Deus. Inclusive, nutre uma ideia bastante peculiar (mas não menos respeitosa) sobre Ele. Mas é preciso admitir que, se não inventou as montanhas e os oceanos, é a responsável por muitas das fórmulas que a cultura de massa embala e apresenta a essa geração de Arianas e Lovatos.

Madonna não é uma cantora de potência vocal. Sua voz é comercial, agradável, de alcance razoável e que, ao vivo, pode soar desafinada. Porém, encarnou com perfeição o espírito imagético dos tempos pós-modernos. 

É na imagem (do videoclipe aos shows) e nas mensagens (libertárias e até conservadoras, em alguns momentos) que Madonna se engrandece. É uma artista que se apropria de sexo, religião, família, casamento e comportamentos para oferecer sempre uma leitura do mundo à frente de seu tempo.

No trono, em homenagem a Prince, durante o Billboard Music Awards de 2016.
Foto: Chris Pizzello.

A rainha (título que lhe outorgamos por mérito), agora sexagenária, cometeu vários pecados mortais numa sociedade que insiste em silenciar não apenas mulheres fortes, mas todos os sujeitos que desafiam a moral e os bons costumes. Madonna foi uma das pioneiras no universo pop a encampar o sexo por prazer e fazer dessa rebeldia uma forma de contestação e provocação à hipócrita sociedade norte-americana.

Madonna falou pelos gays numa época em que ninguém ousaria. Madonna falou pelos negros quando Michael Jackson embranquecia. Madonna levou todas as minorias para o palco para que fossem protagonistas de seus espetáculos, onde mostra realmente a que veio. 

Nos estádios, na plenitude da ribalta, ela canta, dança e faz referências esteticamente perfeitas a cineastas, pintores, escultores, personalidades políticas e humanitárias que, como ela, recusaram-se a se apequenar diante dos desafios.

Como filantropa, Madonna faz mais pelos pobres da África (e até do Brasil, onde coordena projetos anônimos nas favelas) do que os políticos. No Malawi, onde adotou quatro filhos, a cantora ergue centros cirúrgicos e escolas. Mais do que saúde e educação, as obras representam esperança a um povo que só conhecia a fome e a morte.

Não vou detalhar aqui a discografia e a filmografia, repletas de sucessos que estarão para sempre no imaginário coletivo. Também vou pular a apimentada biografia que, em breve, estará nos cinemas para mostrar como Madonna enfrentou a pobreza e os abusos para se tornar um ícone incontestável de um século para outro. Aos 60, ela não parou, como muitos desejavam e esperavam. Prepara novo disco, vai dirigir mais um filme e promete outra turnê milionária.

Assim, Madonna, neste ponto de sua existência, desafia o discurso da decrepitude, da aposentadoria e da sexualidade proibida a quem envelhece. Entre seus maiores detratores estão as próprias mulheres, a quem, ironicamente, ela sempre deu voz. Muitas preferem que Madonna cale a boca, desapareça. 

Há as que a massacram pela aparência plastificada, pelo esforço em parecer jovem a qualquer custo, pelas roupas sensuais demais para "uma senhora" e pelo fetiche por homens mais novos. Pois acostumem-se: essa é Madonna, enfrentando, a seu modo, o mundo que condena, à revelia, quem ousa derrubar o padrão de juventude.

Madonna chega ao Met Gala 2018, cujo tema foi sexo e religião, sua praia.
Foto em https://www.jamesnews.com/met-gala-best-dressed-2018-rihanna-kim-kardashian-selena-gomez-more/2018-metropolitan-museum-of-art-costume-institute-benefit-red-carpet-new-york-usa-07-may-2018/

Madonna envelhece como quer, em público. Faz exercícios, alimenta-se bem e se submete a tratamentos estéticos caros, porque pode e precisa. Madonna é conteúdo e imagem. É escolha dela fazer o que achar necessário para se manter vendável no mercado machista e etarista da música. Sobretudo, é sua prerrogativa recorrer ao que bem entender para se sentir bem consigo mesma, sexy, ativa. 

Mãe de seis filhos, patrona da comunidade LGBTQ, celebridade solidária, cantora mais rica e famosa de todos os tempos. Madonna é tudo isso e também um ser humano. Ímpar. Em quem eu me espelho diariamente para atingir ao menos um décimo de sua grandeza, tão subestimada. Nesse vilarejo chamado Terra, habituado a se despedir cedo demais de seus grandes (Jackson, Whitney, Amy, Donna, Hendrix, Elvis, Prince, George...), Madonna se mantém como um pilar de força e obstinação.

Aos que a criticam, especialmente pela aparência "retocada", sugiro que façam uma autoavaliação. Encarem o espelho e depois as próprias fotos "filtradas" no Instagram, a fim de esconder as imperfeições a um bandinho de seguidores fúteis. 

Madonna se expõe para milhões, dá a cara (e o espírito) a tapa, para tornar esse planeta um lugar menos insuportável. Só por isso, seus críticos deveriam se recolher à sua insignificância. E, quem sabe, juntar-se aos que batem palmas para essa mulher, que não é perfeita. Mas tá quase lá.

terça-feira, 12 de junho de 2018

12 de junho

A gente escolhe

Imagem: https://www.expertnoamor.com.br/inseguranca-no-namoro/

Neste "Dia dos Namorados", nenhuma surpresa. Pencas de casais nas redes sociais celebrando o amor. Se você é desses que avalia o mundo pelo Instagram, então vai achar que o mundo está casado. Bobagem.

Os solteiros, arrisco a dizer, são maioria. O que acontece é que ficam intimidados e botam um pezinho na depressão quando se deparam com tanto "mela-mela". Entendo, mas é pura insegurança. A vida, sendo casado ou não, pode ser fabulosa.

Preferi fazer um post sobre o amor além das selfies. Defendo que é importante se amar primeiro (com toda a complexidade que essa descoberta envolve), antes de se meter num namoro. Aquele blá, blá, blá de autoestima que eu adoro. 

Choque: alguns seguidores deram unfollow imediatamente. Suponho que sejam os desprovidos de amor próprio e que gostam de um "relacionamento-tampão" pra disfarçar a solidão e outros demônios. Tá tudo bem, vão com Deus.

Pelo viés feminino, o 12 de junho ganha outra perspectiva. Muitas comentaram o post com entusiasmo, e não foram só as solteiras. Isso me encheu de esperança. Tem gente que pensa.

Aí me lembrei de outras mulheres que ainda pensam miúdo no universo amoroso. Famosas inclusive. 


A saudosa Whitney Houston cantava a independência emocional, mas fazia o contrário na vida privada. "It's not right but it's ok" é o hino da mulher que não aceita qualquer um nem qualquer coisa. No casamento com Bobby Brown, no entanto, Whitney apanhava e se afundou nas drogas. I will always love you até perde o sentido.

E não são apenas as mulheres que apostam as fichas em ciladas. Os homens também. É compreensível, porque a cobrança é real. 

A enxurrada de selfies de casais é o exemplo mais prosaico (e atual) dessa sociedade que só valoriza quem está acompanhado. E se esquece de que um relacionamento nem sempre é sinônimo de felicidade.

Uma seguidora me mandou um direct, dizendo que estava triste até ler o meu post sobre tocar a vida com alegria, com ou sem namorado. Abri um sorriso.

Logo depois, uma colega chegou perto e reclamou dos pombinhos nas redes sociais. O excesso de romantismo a deixou deprimida. E assim segue o mundo: bipolar. 

Lá vai clichê: se você não tem namorado, e quer um, relaxa. O amor acontece quando menos se espera, quando a gente está bem, sem "mimimi". De amor a gente precisa. Mas o relacionamento a gente escolhe. Beijos de luz.