quinta-feira, 21 de abril de 2016

Sobre a morte de Prince

Tchau, querido

Ao contrário do que o título acima pode sugerir, não há ironia na despedida. É um "tchau" de coração (partido). É um "querido" de verdade.

Prince nos deixou logo após a morte de David Bowie. Dizem que os gênios também precisam de companhia. Aposto que os dois batem papo neste instante, tomando um café ou sei lá o quê. Provavelmente na mesa ao lado de Michael, Amy e Whitney.

Eu tenho um único disco de Prince. É a trilha que ele produziu para "Batman", de Tim Burton, em 1989. Foi um dos melhores momentos do príncipe do pop, pra fechar com chave de ouro a década que o consagrou. Hits como "Purple Rain" e "Kiss" são desses que vão continuar embalando qualquer boa festa que se preze, não importa quanto tempo passe.

Depois do sucesso global, Prince assumiu de vez a excentricidade e se enclausurou. Manteve-se ativo, a seu modo. Virou as costas para a indústria, e vice-versa. Fez discos e shows para poucos. Mesmo assim, continuou com a reputação intacta. Gênios do pop não existem mais. Basta olhar para o cenário pulverizado e desbotado da música atual. Não é saudosismo. É fato.

Prince, assim como Bowie, foi visionário e pioneiro, não só nas composições, mas na forma de se apresentar, na embalagem. Multi-instrumentista, compensava a sua estatura (era baixinho, tinha pouco mais de um metro e meio) com ousadia e criatividade.

A androginia o acompanhou por toda a carreira. Olhando para Prince, batia aquela dúvida sobre o gênero: era meio homem, meio mulher, meio trans. Uma confusão maravilhosa que se perdia e se encontrava nas performances explosivas e nos clipes de gosto duvidoso.
  

Prince foi um artista que nunca precisou se explicar. Era, sob vários ângulos, a síntese da arte, interessado apenas em provocar, nunca em responder. Apesar de não marcar presença nas FMs desde o início dos anos 1990, sua influência permaneceu e ainda pode ser notada em estrelas mais novas, como Lady Gaga e Justin Timberlake.

Prince, meu caro, você vai fazer uma puta falta. Assim como todos os grandes que se foram e hoje te fazem companhia. É inegável que o mundo ficou mais pobre, que a música ficou ainda mais sem graça, que os tempos de hoje nos deixam, salvo duas ou três exceções, com os banais e ordinários.

O que me conforta é saber que a obra é maior que o artista, porque sobrevive a ele e o perpetua. Tchau, querido. Aproveite a festa de boas-vindas aí no andar de cima. Fique em paz e esteja certo de que cumpriu sua missão: tornar o mundo mais divertido e interessante para nós, mortais.

4 comentários:

  1. Mto bom o texto....que pena, tão jovem e talentoso, mais um que nos deixa. Marília

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Então, maninha... Me deu um aperto no peito quando eu soube. Tanta música boa, crescemos ouvindo ele, Michael, Madonna. Pelo menos a rainha do pop continua firme e forte. Bjo.

      Excluir
  2. Sensacional o texto, Zivi. Eu mesmo só curtia algumas músicas do Prince, mas não nego a importância dele no mundo musical no geral. Realmente, faz muita falta. Zivi, tudo de melhor para ti. Se cuida sempre.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sem dúvida, é preciso reconhecer o legado de Prince, gostemos dele ou não. Também não era meu favorito. Mas era uma grande referência. Abs, Andy. Volte sempre.

      Excluir