quinta-feira, 29 de março de 2012

A vida ensina

Sobre estar sozinho


Acabo de começar uma importante viagem de redescoberta. E quero dedicar este texto do psicanalista Flavio Gikovate a todos que entendem a importância da solidão que, às vezes, escolhemos. A todos que sabem identificar no fim um novo começo. E, principalmente, a quem é capaz de aprender que não somos uma metade a ser completada, e sim seres inteiros em busca da soma, nunca da divisão ou da submissão. 
Fazer algumas concessões pode ser necessário. 
Mas abrir mão de quem somos, jamais!
O amor não pode cobrar altos pedágios, apenas o preço justo.
E como costuma dizer a deusa australiana Kylie Minogue: 
love to you all!

"Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o início deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas tranasformações e revolucionando o conceito de amor.
O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem estar.
A ideia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar outra metade para nos sentirmos completos.
Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher; ela abandona suas características para se amalgamar ao projeto masculino.
A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma ideia prática de sobrevivência e pouco romântica, por sinal.
A palavra de ordem deste século é parceria. Estamos trocando o amor de necessidade pelo amor de desejo. Eu gosto e desejo a companhia, mas não preciso, o que é muito diferente.
Com o avanço tecnológico, que exige mais tempo individual, as pessoas estão perdendo o pavor de ficar sozinhas, e aprendendo a conviver melhor consigo mesmas. Elas estão começando a perceber que se sentem fração, mas são inteiras.
O outro, com o qual se estabelece um elo, também se sente uma fração. Não é príncipe ou salvador de coisa nenhuma. É apenas um companheiro de viagem.
O homem é um animal que vai mudando o mundo, e depois tem que ir se reciclando para se adaptar ao mundo que fabricou. Estamos entrando na era da individualidade, o que não tem nada a ver com egosísmo. O egoísmo não tem energia própria; ele se alimenta da energia que vem do outro, seja ela financeira ou moral.
A nova forma de amor, ou mais amor, tem uma nova feição e significado. Visa à aproximação de dois inteiros, e não a união de duas metades. E ela só é possível para aqueles que conseguirem trabalhar sua individualidade.
Quanto mais o indivíduo for competente para viver sozinho, mais preparado estará para uma boa relação afetiva.
A solidão é boa, ficar sozinho não é vergonhoso. Ao contrário, dá dignidade à pessoa. As boas relações afetivas são ótimas, são muito parecidas com o ficar sozinho, ninguém exige nada de ninguém e ambos crescem.
Relações de dominação e de concessões exageradas são coisas do século passado. Cada cérebro é único. Nosso modo de pensar e agir não serve de referência para avaliar ninguém.
Muitas vezes, pensamos que o outro é nossa alma gêmea e, na verdade, o que fizemos foi inventá-lo a nosso gosto. Todas as pessoas deveriam ficar sozinhas de vez em quando, para estabelecer um diálogo interno e descobrir sua força pessoal. Na solidão, o indivíduo entende que a harmonia e a paz de espírito só podem ser encontrados dentro dele mesmo, e não a partir do outro.
Ao perceber isso, ele se torna menos crítico e mais compreensivo quanto às diferenças, respeitando a maneira de ser de cada um. O amor de duas pessoas inteiras é bem mais saudável.
Nesse tipo de ligação, há o aconchego, o prazer da companhia e o respeito pelo ser amado. Nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes, você tem de aprender a perdoar a si mesmo." 
   

6 comentários:

  1. Vc é que pensa que está só. Sei bem o tantão de pessoas que o querem bem e que fazem parte de uma grande e seleta coleção que você guarda aí no peito!
    É incrível o quanto a gente amadurece e muda o sentido do trajeto quando nos importamos conosco devidamente. Não sei vc, mas eu só consigo fazer isso direitinho quando estou só. O foco muda completamente e a gente percebe o crescimento se aproximando.
    Aí vale aquela máxima de que tudo acontece no devido tempo, né?
    Muito bom perceber que vc tem feito das mudanças, transformações positivas e necessárias.
    Beijo bem grandão, meu amigo geminiano!

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  2. A solidão, se é assim que posso chamar, não é boa não...! Sem sombra de dúvida temos momentos que precisamos é falar aquilo que se passa em nossa alma, desabafar, saber que alguém se preocupa e que realmente se importa. Compartilhar momentos....
    Pra você amigo, este momento "individualista" parece ter feito muito bem a você, da pra se perceber até pelos seus textos, pelo seu jeito de agir.....sua criatividade está a mil, seus textos carregados de uma força progressista, mais se mesmo assim, se perceber em algum momento que não está feliz, volte atras desfaça tudo, o que importa e ser feliz. Na vida não podemos ter medo de errar e sim de deixar de fazer.
    Bom saiba que pode contar comigo.
    Tiago

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Lu, vc tem razão. Esta é uma fase em que eu estou matando as saudades de mim. Pouca gente entende isso, porque acha que, para ser feliz, precisa estar em um relacionamento. Eu acho que se relacionar, amar, enfim, é maravilhoso, quando estamos equilibrados e, principalmente, quando faz bem à gente. Se estamos infelizes, alguma coisa está errada. Aí é hora de se distanciar, dar um tempo, analisar tudo com outra perspectiva e encontrar respostas. Quem sabe, então, estaremos prontos para outra tentativa ou para uma nova história. Há coisas que devemos confiar ao tempo e à nossa vontade de crescer. Bjo, minha amiga.

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    Tiago, a solidão pode ser boa, sim! Não a solidão que nos faz solitários, mas sim aquela que nos permite crescer com as nossas próprias pernas. Estar sozinho não significa ser solitário ou triste. A gente sempre pode dividir com os amigos, com a família e, se nos sentirmos preparados e felizes, com alguém especial. Voltar atrás é uma possibilidade que explorei por vezes demais. Preciso olhar um pouco para a frente agora e, sobretudo, para dentro de mim. O importante é fazer tudo com prazer, nunca por obrigação. E os relacionamentos amorosos se incluem nisso. Abraço.

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  5. "Algumas vezes, você tem de aprender a perdoar a si mesmo."...Sim esse é o primeiro passo para seguir em frente esquecendo o passando... afinal quele que nunca errou que atire a primeira pedra!!! Estou a acompanhar seu trabalho pelo facebook e lhe convido para conhecer a minha!
    http://www.facebook.com/pages/J%C3%A1-sabe-quem-sou/241871909182601 .. Passa por lá!!! Bom feriado para ti!!

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  6. Obrigado, Natasha! Também gosto muito dos seus textos. É claro que vou te prestigiar no Face. Bjo e volte sempre!

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