quarta-feira, 31 de maio de 2017

"A Cabana"

O livro é melhor


Vi o filme "A Cabana" e, ao contrário da maioria dos críticos, não achei de todo ruim.

Breve sinopse: pai revoltado com a morte da filha busca se reconectar com Deus para entender o que aconteceu e melhorar sua vida em família.

O livro é melhor, como manda a tradição. Acho que ambos, contudo, têm como mérito questionar os estereótipos da religião, desconstruindo a forma como enxergamos Deus e seus desígnios.

As mensagens são muitas e beiram a obviedade: cada um escolhe seu caminho; toda escolha tem suas consequências; ninguém pode ser juiz de ninguém; a vida se encarrega; e por aí vai.

Acho válido. Algumas passagens são muito bonitas e emocionantes, assim como no livro. Não segurei as lágrimas. No entanto, como filme, tecnicamente falando, poderia ser melhor.

Em alguns momentos, chega a ser tedioso. O elenco é bom, em sua maioria. Mas o ator principal (Sam Worthington, aquele de "Avatar"), é fraco, não segura a onda.

O principal ali, pelo menos para mim, é um ensinamento que não tem preço: o nosso estado mental e as nossas emoções definem o universo à nossa volta, a nossa vida, o nosso céu e o nosso inferno.

"A Cabana", enfim, é menos sobre religião e mais sobre a lei universal da causa e efeito. Podemos dar a essa lei qualquer roupagem, inclusive a religiosa. De seus efeitos ninguém escapa, nem ateu, nem fanático.

No frigir dos ovos, a escolha entre o bem e o mal é nossa. O filme, visto desse modo, firma-se como um libelo por um mundo em que assumamos mais a responsabilidade por nós mesmos.

Porque Deus (seja lá como você o vê) vai continuar nos acompanhando, dando uma mãozinha aqui e ali. Só não é justo deixar tudo no colo Dele.

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