sábado, 9 de maio de 2015

Crônicas de Nova York - parte 2

O beijo

Nova York é a cidade das sirenes e das buzinas. Andar pelas avenidas mais movimentadas de Manhattan pode ser ensurdecedor. Mas o barulho das ambulâncias, da polícia e dos bombeiros perde importância para as pizzas irresistíveis. Para o cheesecake, meu novo vício. E para os esquilos.

Muitos turistas vão a Nova York para ver a Estátua da Liberdade. Ou para se apaixonar no Central Park, cenário de inúmeros romances no cinema. Há quem prefira visitar o marco zero, fazer compras, aproveitar a noite, ver um espetáculo na Broadway. Fui para um pouco de tudo.

Para quem gosta de paquerar, NY é um parque de diversões. Seja você homo, hétero, bi ou penta. Basta ficar atento. Estava tudo ali para rolar pelo menos um beijo: o cenário enfeitado pelos arranha-céus, as primeiras flores da primavera, o friozinho, as músicas que tocavam constantemente nas ruas, lojas e bares. E um monte de gente linda.


Era perto da meia noite quando percebi o flerte. Eu estava com as minhas companheiras de viagem num piano-bar, em uma das regiões mais descoladas da Big Apple. Entre um gole e outro de chope, notei os olhares. Com a timidez afogada no álcool, correspondi.

Brasileiro que sou, tomei a iniciativa. Fui até lá, perguntei o nome. Descobri que é da Suíça. Cheirava a perfume caro. Aproveitei para treinar o inglês e dar risada. O primeiro beijo não demorou. E logo se transformou em muitos.

Ao piano, os clássicos da música americana. Olhei ao redor e custei a acreditar que estava vivendo aquilo tudo. Parecia um sonho. Beijei em Nova York. Aconteceu. Fez parte do contexto. E agora da minha memória.

Foi romântico, sexy, por uma noite. Acho que está de bom tamanho.

Aos desavisados e aos que pouco me conhecem, as fotos da viagem na rede social e aqui no blog não são para ostentar. Fui porque planejei por anos. Para comer e passear. Para ver como aquilo funciona, para me enriquecer com a experiência. E compartilhar, moderadamente, essa felicidade.

Nada disso teria sido tão especial sem as companhias. Por quase dez dias, me emocionei ao lado de duas lindezas que me aturaram do outro lado do mundo. No último dia, na cafeteria do aeroporto de New Jersey, prontos para a volta, choramos.


Não de tristeza, e sim pela realização. Pelo que significou a viagem para cada um de nós. Não importam muito os perfumes importados, a bolsa Michael Kors, os relógios na mala, comprados a preço de banana. O que fica é o amor.

O amor pela aventura, pela descoberta, pela oportunidade. O amor pelo beijo com gosto de chocolate suíco no piano-bar. E, principalmente, pela amizade fortalecida. Esta, sim, um privilégio. Em qualquer lugar do mundo. Tim-tim.

3 comentários:

  1. Compartilhar:
    “Tomar parte em ou de alguma coisa; Partilhar algo com alguém; Compartir algo ou alguém...”
    Creio que essa é uma boa definição e para mim uma HONRA fazer parte dessa história!!!
    Na verdade fomos três elementos que nos fundimos com simplicidade e nos completamos em nossas dificuldades “en la Grande Manzana” e vivemos momentos fantásticos que estarão em nossa memória pelo resto de nossas vidas.
    A passagem do piano-bar... você se fartando de beijos... E euzinha cantando de forma ‘quase ensandecida’... Papa don't preach que eu mesmo havia pedido ao garçom-pianista através de um bilhetinho... Ah meu amado... para todo o resto até mastercard!!! rsrsrsrsrsrs...
    Só desejo que o Papai do Céu nos conceda oportunamente viver mais experiências enriquecedoras como esta.
    AMO VOCÊ e sou grata por sua generosidade.
    Besos y siempre te echando de menos.

    Sandrinha

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  2. Sandra, eu não poderia ter definido melhor nossa experiência. De fato, nos fartamos de energia boa, de pizzas, de experiências, risadas e tanta coisa que não cabe em palavras. Quando você olha pra trás, não parece um sonho? Um sonho que transformamos em realidade e foi ainda melhor do que poderíamos imaginar. Sou grato por tudo e também me sinto honrado por ter dividido isso com você! Bjos. E que venha a próxima!

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    1. Sim Zi, um sonho palpável com cheiros, sabores e tantas outras coisas de encher os olhos... até de lágrimas... tim-tim.
      Que venha a próxima!!!
      Beijos

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