segunda-feira, 27 de abril de 2015

Crônicas de Nova York - parte 1

O primeiro encontro

Frio na barriga é uma expressão que define bem o primeiro encontro. O nosso teve disso. Te conhecia pelas fotos, pelo cinema, pelos que tinham te visto pessoalmente. E já estava encantado.

O face-to-face sempre gera expectativa. Você faria jus ao que eu esperava? Fez. Na verdade, me surpreendeu.

Quando subi as escadas do metrô e olhei para você pela primeira vez, sob a luz do sol da primavera, a sensação foi, na verdade, de reencontro. Não me peça para explicar. O déjà vu não me impediu de ficar maravilhado com sua imponência.

Seu brilho me tomou nos braços e me instalou um sorriso definitivo. Logo eu, um plebeu, agora privilegiado diante da sua majestade.

Começamos a nos conhecer devagar. Eu, meio sem jeito, com meu inglês macarrônico, e você, desenvolta, sedutora, gigantesca, avançando sobre mim, minuto a minuto.

Nossos programas, desta vez, foram os clássicos, os românticos, pra ver o melhor um do outro. Coloquei minhas roupas mais bonitas e meu perfume mais cheiroso para que pudéssemos caminhar de mãos dadas por museus, teatros, cinemas, pizzarias, prédios, parques e pubs. 


Andamos de trem, de ônibus e, quase sempre, a pé. Quantas caminhadas inesquecíveis, com meus olhos te fitando ora de cima pra baixo, ora de baixo pra cima. Com o coração batendo no ritmo do deslumbre. 

Tomamos cerveja, Cosmopolitan, Cherry-Coke. Você me mostrou as locações do meu programa de TV preferido e me deixou dançar, sem vergonha, em todos os lugares onde a música fazia parte do contexto.

Você fez comigo aquilo que os grandes amores costumam fazer com seus pares. Me transformou, me deixou melhor, acho que fiquei até mais bonito e charmoso em seus braços, com você me enfeitando, me enriquecendo, me ensinando, me vestindo de novidade e sorrisos.

É engraçado pensar neste caso de amor tão intenso, que começou à distância. Bem com você, sempre tão famosa, falada, disputada, polêmica, esplendorosa. Me sinto maior e ainda tão humilde. Afinal, você já esteve com os grandes: King Kong, Godzilla e incontáveis alienígenas.

Estou apaixonado, mais do que fui platonicamente. Sei que você tem defeitos. Que tem a parte suja, obscura, insegura e feia. Não me importo. Amor é assim. A gente não se incomoda tanto com a parte feia quando a bela é tão bela.


Me despedi às lágrimas, você viu. Quando o avião embicou, olhei para baixo e vi suas luzes formando um enorme tapete de ouro e prata, enquanto eu rumava pra casa. 

Pude sentir seu beijo e uma infinita gratidão a Deus, à vida e a tudo o que permitiu que esse nosso encontro fosse tão especial.

"Tenho o contorno à espera da essência", escreveu Clarice Lispector, dialogando com sua peculiar aflição de escritora. Eu me sentia assim antes de NY. A magnitude dessa experiência, desse sonho realizado, me preencheu um pouco mais.

Obrigado, Nova York. Foi lindo. O avião já desceu aqui em casa, mas ainda estou no céu. E ansioso pela nossa próxima aventura. Pra te olhar nos olhos de novo, sair de mãos dadas e explorar essa infinitude de possibilidades. 

12 comentários:

  1. Perfeito texto. Maravilha. Você conseguiu me levar junto nessa narrativa, era como se eu estivesse caminhando junto com vocês; Nova York e você, Rodrigo. Boa leitura mesmo.

    ResponderExcluir
  2. Cidade incrível, Renato. Estar lá e sentir aquela energia toda não tem preço. Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Acredito, deve ser um momento mágico, incrível mesmo. Abraços, meu amigo.

      Excluir
  3. Que lindo Zivi! É o tipo de texto que nos abraça e permite não apenas uma visualização dos fatos, mas trabalha as sensações. Resumindo, estive com Zivi em Nova York! Se entre linhas a sensação já é boa, posso imaginar a maravilha de estar lá. Viajar é sempre bom, pra mim um remédio! Tem uma frase de John Steinbeck que diz: “ As pessoas não fazem viagens, as viagens fazem as pessoas”. No meu caso, eu concordo com ele, pois, a cada viagem que faço percebo que consigo evoluir um pouco. Bem vindo ao Brasil novamente querido! Bjs, Rose

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Rose, concordo! Essa viagem me construiu mais um pouco. Que experiência sensacional! Obrigado e um beijo!

      Excluir
  4. Adorei o texto! Consegui sentir sua emoção ao ver pela primeira vez a cidade dos seus sonhos. Que venha a parte 2. Abraços. Jaime

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Né, Jaime? Acho que o texto cumpriu sua missão. Sonho transformado em realidade. Ab!

      Excluir
  5. Texto maravilhoso.. realmente a literatura não permite caminhar, mas permite respirar. Parabéns Rodrigo.
    Flavio.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Flávio, estava esperando seu comentário, meu novo amigo. Obrigado pela visita e pelo elogio, seja muito bem-vindo! Quero ver mais vc por aqui. Abraços!

      Excluir
  6. Bom dia, Rodrigo Ziviani voce é o melhor apresentor da tv Record interior , Atenciosamente sarah Regina verissimo coutinho Estudante de Psicologia Faculdade Estacio

    ResponderExcluir
  7. Adorei seu texto Parabens Pela sua carreira Além de ser o melhor Apresentador da tv Record interior voce deveria Escrever novela Para a tv globo e tv Record

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sarah, agradeço a visita e os elogios. Indique o meu blog para os autores das novelas, quem sabe? rsrsrs. Um abraço pra vc.

      Excluir