segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Mulheres desesperadas

Louca
Imagem: http://blogtextosurbanos.blogspot.com.br/
Desenho de Geraldo Poerner

Há um ano, notei um fenômeno incômodo: me tornei, ao mesmo tempo, um ímã e um teflon pra gente louca. Atraio, depois escorrega pra longe. Graças a Deus. É fácil reconhecer quem baba. Geralmente, são mulheres. Sem preconceito. Não sou misógino. Mas é fato: a mulherada pirou.

Nas mesas de bar, no sofá da sala, na internet, tudo o que vejo é um bando de fêmeas no cio, desesperadas pra assumir um namoro, nem que seja com o primeiro cachorro que abanar o rabo.

Ou, então, lá vêm elas reclamando de tudo. Se estão casadas, reclamam do companheiro (muitas vezes, de barriga cheia, cheíssima!). Se estão solteiras, reclamam da própria condição e amaldiçoam o resto da humanidade. Se estão bem...peraí, não conheço uma mulher que esteja realmente bem. No mínimo, a bonita faz terapia, ou toma fluoxetina.

Outro sintoma da loucura: nunca vi tanta mulher enchendo a cara como agora. Elas estão bêbadas, constrangedoras, desesperadas, ensandecidas e, em muitos casos, depressivas. Falta de homem? De Rivotril? De Nutella? 

Eu não sei o que aconteceu com os relacionamentos saudáveis, com a solidão construtiva, com o equilíbrio. A sanidade tomou Doril. Até a Madonna começou a me tirar do sério com o excesso de selfies. Sim, a rainha do pop anda insegura desde que terminou com o último boytoy. Não dou mais conta. 

Um colega postou outro dia uma frase meio assim: "Solidão não é a falta dos outros; é a ausência de si mesmo". Não sei de que poeta ou escritor fabuloso saiu isso. Mas, diante dessa colcha feminina de retalhos, achei emblemático. As mulheres, grosso modo, se perderam de si mesmas.

Pra mim, sempre foi difícil entender essa obsessão por relacionamentos amorosos. Não pode ser necessidade. Não pode ser um projeto de vida. Não pode ser uma fixação, uma dependência. O que encontro pelo caminho, porém, são amigas e colegas desajustadas, inconformadas, descompassadas. 

Mesmo quando falam que estão desencanadas, não estão. Dá pra ver no fundo dos olhos que elas morrem por dentro a cada final de semana sem romance. Beliscam azulejo, sobem pelas paredes, rasgam o bife cru no dente e são incapazes de sentir, simplesmente, paz consigo mesmas. 

Tenho uma amiga que só está bem quando namora. Se leva um chute (o que é inevitável, porque é um heroi mesmo quem aguenta aquilo), a moçoila se torna a figura mais patética e triste que já vi na vida. A cada novo namorado, ela fica ainda pior e mais carente. Nem a solidão quer fazer par, sai correndo.

Conheço outra que enche o Face de fotos pra tampar o buraco emocional em que se transformou sua existência. Tem flash até com o verdureiro, sorrindo como uma tonta, tentando provar pra si mesma que está bem e equilibrada. Se o verdureiro der bola, ela casa, engravida e encosta a barriga no fogão.

Tem também as que vivem por status. Casam por dinheiro, traem, adoram um helicóptero, se separam por bobagens, acreditam em príncipes encantados instantâneos e depois enchem o saco de todo mundo com o sofrimento que elas mesmas alimentaram. Já viu gente feliz e chata? Nem eu. Nunca. 

Agora, cá entre nós, a pior espécie é a que larga do dito-cujo e faz campanha pra desmoralizar o coitado de tudo quanto é jeito. Eu entendo os homens que saem correndo dessa corja de loucas. Até apoio. Mulher desesperada é embaraçosa. E não se dá conta.

Na boa? Tô com preguiça disso. Falei de mulher, mas tem muito macho que não fica atrás. Casa até com um cotonete sujo, só pra postar foto de aliança. Tomar veneno de rato ninguém quer.

Tem gente que tá na melhor fase da vida, ganhando dinheiro, chegando aos fabulosos quarenta anos com a beleza gritando, mas só sabe praguejar pessimismo e paranoias. Poderiam ser pessoas interessantes, tranquilas e, quem sabe, atrair semelhantes. Preferem nadar no mar do constrangimento. Isso me irrita mais do que o cachorro possuído que late no apartamento do vizinho às seis da manhã.

Meu cinismo não é falta de romantismo. Acredito no amor. Juro. Ando ligadinho num docinho aí. Só que ridículo eu ainda não consegui ser. Nisso, a mulherada se supera. Dessa aula eu prefiro desdenhar. Continuo achando que um tanque de roupa pra lavar cura tudo, até bobeira. #ficaadica. #machistaeamae.

Que a partir de hoje eu seja só teflon pra loucura. Pra fechar, aquela música da Shakira. Nem gosto muito, mas cabe. Lembra? Ela canta: "Sou louca, mas você gosta". Gosta nada, gente! Pode ser gostosa, pode rebolar lindamente, mas se fizer a insana, o povo corre. Fui, que eu não tô podendo. 



10 comentários:

  1. Menino ácido!!!rsrsrrs Agora adorei a frase "Ando ligadinho num docinho aí" Saudades de você Zivi. (TM)

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    1. TM, por onde andas? Rs. A parte do docinho é a melhor. Agora, sim, um brigadeiro! Hehe. Bjo!

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    2. Zivi, ando trabalhando demais, louco para chegar as férias e recarregar as energias no mar. Sucesso sempre!!!(TM)

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  2. Je-sus, ele continua o mes-mo. Tão sociólogo!
    Rô, juro que fui lendo com certo medo de pular para o próximo parágrafo e me ver descrita. Ufa!
    P.S.: Cuidado com a diabetes.rs
    Beijo, gatinho

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    1. Hahaha! Lu, várias amigas minhas se identificaram. Outras fingiram que não era com elas, rsrsrs.
      Sobre a "diabetes", logo começo a tomar insulina. Ando meio viciado no tal docinho, hehe. Bjo!

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  3. Fazia tempo que não passava por aqui, ter duas profissões está consumindo meu tempo, mais do que deveria!
    Incrível, descrições perfeitas! Confesso que quando comecei a namorar senti um grande alívio de não ter que aguentar mais minhas amigas bêbadas chorando por sei-l-a-quem "dessa vez". Nunca fui desesperada por namorar e sempre tive dificuldade em estabelecer um relacionamento porque sempre acreditei que: "amor é para os fracos, deixa eu cuidar da minha profissão que ganho mais". E depois de um relacionamento longo e desastrado, e com alta dose de egocentrismo segui meu caminho sozinha e com frieza suficiente para não querer nada com ninguém. Mas o azar era tanto que só tinha amigas desesperadas, bêbadas e tudo mais que descreveu no seu texto!
    Sorte a minha ter encontrado "a pessoa certa". E por falar nisso, faltou apenas uma característica no seu texto: as desesperadas são também invejosas. Não só elas, os homens desesperados também. Incrível como o fato de estar feliz com a pessoa que amo afastou 90% dos meus amigos. Coincidência? Ou o desespero anda geral? rs
    Hahaha adorei seu texto! Um abraço e sorte aí para aguentar esse pessoal.. ;)

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    1. Natália, só duas observações. Eu falo das invejosas, quando cito que elas "amaldiçoam o resto da humanidade", rs.

      E, apesar de acreditar no amor e em almas afins, não creio muito no conceito de "pessoa certa".

      Muito obrigado pela sua visita aqui, volte mais vezes e participe. Seus comentários são sempre muito bons. Abração!

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  4. Oi, Ro. Há alguns meses voltei a passar pelo Blog do Zivi e os textos continuam valendo a pena. E você, ainda tão indigesto quanto terapêutico rsrs, talvez agora um pouco mais na medida certa entre os dois rss.

    Sobre a mulherada, entre os que olham de fora, é unânime: a insatisfação é constante. Será que é algo genético? Será que a sociedade impõem tanta coisa a elas que elas acabam não sabendo o que querem e quem realmente são?

    Lembrei do livro "Mulheres que Escolhem Demais" que – apesar do título óbvio – fala sobre relacionamentos e a mania de as pessoas acharem que a grama do vizinho é realmente sempre mais verde.

    See ya!

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  5. Oi, Matheus. Coincidência ou não, passei pelo seu blog na semana passada, após uma encarnação distante, hehe.

    Bom ver vc por aqui!

    Sobre a mulherada, acho que o problema nem é escolher demais. Desde que estejam tranquilas com isso e com a possibilidade da solteirice "ad eternum".

    O maior problema talvez seja mesmo o que vc citou: a grama do vizinho. E o fato de que tentam disfarçar o desespero de forma pouco convincente, rs.

    Obrigado pela visita! Abs!

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  6. hahahahaha

    esse eu vou enviar pra alguns amigos que tem dividido comigo alguns casos de exemplares "desesperadas". Vou reler me olhando no espelho pra ver se identifico alguns sinais, e vou dar o toque pra algumas amigas...

    estou lendo o "Subliminar" do Leonard Mlodinow, que trata muito de estudos científicos sobre o comportamento da nossa espécie e estou gostando bastante.

    adorei teu texto!
    (j. i.)

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