segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O piloto sumiu

Apertem os cintos


Uma das comédias mais famosas dos anos 80, "Apertem os cintos, o piloto sumiu", resume bem o que tem sido 2014 até aqui. Com um diferencial: não tem nada de engraçado.

A queda do avião de Eduardo Campos é, num nível simbólico, um lembrete do que tem acontecido na vida de muita gente. É só impressão minha, ou o "avião" de cada um de nós também parece desgovernado?

Colegas, amigos e familiares têm confessado que este ano não está exatamente um passeio nas nuvens. As turbulências, de alguma forma, viraram rotina. 

No quesito relacionamento, o período anda desfavorável. Neymar e Bruna que o digam. Com os solteiros, anda difícil rolar um "match". Os casados estão se separando em meio a brigas hollywoodianas. Os enrolados continuam cada vez mais enrolados. E quem se arriscou a assumir algo mais sério começa a repensar tudo, com ar de arrependimento.

No círculo mais íntimo, basta olhar ao redor e constatar: tem muita gente morrendo, doente, estressada ou deprimida. Na minha, na sua, na família de qualquer um. Nunca foi tão frequente. Descontado o drama dos parentes, o negócio não tá pra brincadeira.  

As tragédias também aumentaram. Tem aquele avião que ninguém achou. Tem a guerra entre palestinos e judeus. E esse monte de gente importante (Suassuna, Alves, Williams...) no andar de cima, assim, de repente. O "Nosso Lar" tá bem mais interessante agora, vá lá. Sim, gente, acredito em Deus, humor negro à parte. Até porque ninguém é ateu num avião em turbulência, já dizia o "Facetruque".

A escalada da violência é outro termômetro preocupante. Minha dentista foi assaltada a mão armada. Uma amiga foi feita refém. Vítimas de primeira viagem. E por causa dos arrastões em bares e restaurantes (a última moda aqui em Ribeirão Preto), não pego mais mesa em calçada. Rola pizza com DVD? 

Em 2014, ao que parece, todos entraram no mesmo avião maluco. Pode ser um teste para os nervos e o espírito. Pode ser uma fase, só pra fazer a gente dar valor a outras paisagens logo ali. Já ouvi mil explicações. Até a de que o planeta passa por uma mudança de eixo e dimensão. Faxina geral. Sei lá. 

O que sei é que o piloto sumiu. O jeito é aprender como aterrissar essa porra sem tantos danos, sem matar a sanidade, porque vem mudança por aí. Turbulência é sempre sinal de transformação. Que as larvas virem borboletas, seja lá qual for o nome disso. "Eu não sentia nada. Só uma transformação pesável. Muita coisa importante falta nome", proclamou Guimarães Rosa. 

Por enquanto, não há terra firme. Lutemos, então, pela nossa firmeza interior. Em todo caso, 2015 já tem permissão pra começar. Pra mim, 2014 já deu.

6 comentários:

  1. Rô meu amigo eternamente amado e escritor favorito, o texto esta divinamente dinâmico hein!! Acho que apesar da turbulência em todos os sentidos, sempre digo : aconteça o que acontecer, nada como um dia após o outro... e assim sucessivamente - com isso 2015 logo, logo ta ai rsrs! É fato, as vezes o caos insiste e persiste em colocar a vida de qlq cidadão em sã consciência na mais completa loucura, carência, depressão e insatisfação consigo próprio e com o mundo! mas felizmente, como diz minha tia : " não há mal que dure para sempre!" e com esperança nisso é que digo, que as vezes é melhor "ligar o piloto automático" e entregar nas mãos de Deus - isso mesmo : "Só Jesus na causa" kkk!!! Mas tem razão no final tudo se transforma, as estações climáticas mudam, as aves migram e um novo ciclo se inicia, e mesmo sem um nome especifico o importante desse sentimento de evolução é apenas senti-lo! Namastê! kkk!!!Um big bjuu, abraçãoo bemm apertadoo!!

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    1. Todos já tivemos anos difíceis na vida, né, Elaine? Mas esse, em especial, parece um turbilhão que pegou praticamente todo mundo de calça curta. Pelo menos é a impressão que tenho. Claro que vai passar e que, enquanto isso, a gente vai dar um jeito de se divertir! Bjão e obrigado sempre pelo carinho e amizade!

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  2. Como este ano está sendo difícil para muita gente, em todos os aspéctos,mas ....ainda bem que temos pessoas , poucas, mas gentis e queridas no nosso caminho......pelo menos isso...rsrsrs
    bjoss...sua irmã: Marília

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    1. Sim, mana! É claro que, em meio a essa bagunça toda, há coisas boas, divertidas. Entre elas, aqueles que amamos, pertinho da gente. Bjo.

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  3. Oi Rodrigo, muito legal seu texto. Estamos no ano do Cavalo (ano Chinês da energia e turbulência)Espero que 2015 possamos tomar fôlego, afinal será o ano da Cabra e promete ser calmo.Bjs, Rose

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    1. Oi, Rose. Ansioso para dar boas-vindas a essa cabra! Rsrs. Bjos.

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