domingo, 25 de maio de 2014

Tolerância zero

Paciência, essa estranha
 
A paciência é uma estranha pra mim. Nunca tive um encontro cara a cara com ela. No máximo, teclei com a dita-cuja por whatsapp. É uma questão de identificação. Até acho simpática. Mas não beijaria na boca.
 
Às vésperas de mais um Dia dos Namorados, fiquei pensando em chamar a paciência para um primeiro encontro de verdade, com direito a flores, chocolate, jantar e cinema. Com o cupido, já resolvi minha parada. Com a paciência, tô longe. Nâo quero namorar com ela. Apenas sorrir, acenar e mostrar que, em algum lugar aqui dentro, há morada para a garota.
 
A falta dessa danada acabou criando um novo e incômodo padrão romântico na minha vida: a maldição das duas semanas. Eu conheço alguém, me empolgo e, depois de duas semanas, mando tudo às favas, por completo desinteresse e...falta de paciência. Já perdi as contas de quantas pessoas eu "namorei" por 15 dias esse ano.
 
O cupido anda de cara feia comigo, mas já avisei que a gente tem que trabalhar junto. Não estou com pressa. No geral, as coisas estão melhorando. Percebo que, devagar, deixo para trás vícios que me enraizavam a pessoas erradas. Não insisto mais. Quando sinto cheiro de problema ou sofrimento, mostro a porta. Ninguém rouba mais a minha paz sem permissão.
 
Desde que conquistei minha liberdade, me conheci de forma surpreendente. Tem sido uma trajetória cheia de novos e excitantes desafios. Pela primeira vez, fui a uma balada sozinho numa sexta à noite. Eu gosto de ir ao cinema sozinho. Mas nunca tinha me jogado aos leões, assim, sem os amigos escudeiros. A vida surpreende quando a gente se arrisca. Foi uma noite incrível.
 
Também tomei um porre by myself noite dessas, em casa mesmo. Com o som ligado, preparei meu Cosmopolitan e entortei três taças. Ri, dancei e fui dormir com a cabeça rodando, feliz da vida por ter tanto prazer só comigo. Não é egocentrismo. O ineditismo que me embriaga é o mesmo que me fez chutar o que era cômodo.
 
Fernando Pessoa já me entendia lá atrás. "A liberdade é a possibilidade do isolamento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo".
 
Cheguei num ponto crucial, aquele em que a gente tem que fazer a liberdade dar as mãos para a paciência. Eu me refiro àquela paciência que impede a gente de tomar deciões precipitadas, com medo de arriscar essa liberdade tão gostosa, que experimento depois de ignorá-la por tanto tempo. Liberdade absoluta, irmã gêmea da autossuficiência, prima em primeiro grau da felicidade genuína. E melhor amiga do desapego.
 
Nessa minha fase de "pega e não se apega", levada ao extremo, noto que a paciência pode ser bem-vinda, desde que não se torne uma chata e obstáculo a essa minha busca veloz pelo bem-estar. Até agora, estou certo de que não mandei ninguém passear cedo demais. Afinal, o mundo gira rápido. Em duas semanas, é possível saber se vai prestar. Mas, sem a paciência ao meu lado, corro o risco de ganhar na loteria e rasgar o bilhete antes de sacar a grana. E não quero prevaricar.
 
Chega aqui, paciência, deixa eu te adiantar umas coisas: gente antiquada, retrógrada, medíocre, com papo chato, cheia de paranoias, mal resolvida, com medinho da vida, do papai e da mamãe nunca vai ter chance. Agora, te peço um favor: não me faça mostrar a porta para quem tem potencial de me tornar alguém melhor, apesar dessa minha paixão inabalável por mim mesmo, minhas taças de cosmo e meus amigos.
 
Outra coisa: essa aqui é a liberdade. Conhece? Casei com ela. Não é aquela fulana que só quer saber de balada, beijos passageiros, futilidade. É a liberdade que faz meu coração se abrir às possibilidades. Graças a ela, consigo ser feliz sem depositar no outro todas as expectativas de uma vida plena.
 
Vocês duas podem tratar de se dar bem, descobrir pontos em comum, porque, de hoje em diante, são parceiras. Não quero saber de briga nem de sacanagem comigo. Senão eu perco a paciência. Liberdade pra isso eu conquistei.
 
Minha luta, neste momento, é contra os excessos. Liberdade demais também pode ser uma prisão. E paciência demais... Bem, Margaret Thatcher matou a charada: "A paciência é uma virtude, exceto quando se trata de separar os inconvenientes". 

11 comentários:

  1. kkkk só voce mesmo Rô pra reduzir as 9 1/2 semanas de amor para apenas 2 semanas!!!ta aí uma otima ideia para o diretor Adrian Lyne, com certeza 2 semanas renderia um filme mais lucrativo, compacto e com menos custo e seria sucesso do mesmo jeito, com Zivi no papel principal entao...nem se fala, com ctz renderia um Oscar!!!AAhh Rô quanto ao dia dos namorados...sinceridade? puro comercio, tambem nunca tive paciencia pra isso, alias paciencia é o de menos, nesse caso tem q ter grana mesmo...Mas olha tenha certeza de uma coisa, não importa a data comemorativa, mas voce vai ter sempre seus amigos e amigas ao seu lado, e com mtos cosmopolitans pra comemorarmos...sei la...o que nos der na teia, comemoraremos ate o fim do latido daquele cachorrinho do seu vizinho por exemplo!!!Comemoraremos o filme que estreou, a chuva que ainda não caiu, e qdo cair vamos dançar nela, o vento que toca nossos rostos, o sol que nos acorda com um novo dia a descobrir mais motivos para se viver, a noite e suas estrelas que nos encantam!!!ahhh ta vendo qta coisa podemos comemorar, e de forma simples, com um divino cosmopolitan na mão e um sorriso no rosto!! portanto...fod...-se, o dia dos namorados!!e tem mais, o melhor da vida é isso ai, namore-se primeiro,apaixone-se por si proprio, pois so assim poderá ser feliz de verdade com alguem!! Te admiro mto meu amado amigo, pois em suas sabias palavras, mostra que antes de qlq coisa é uma pessoa madura, com pes no chão e sabe sim o que quer e tem consciencia que se for pra ser, terá que ser o melhor, afinal vc mereçe sim, o melhor dos melhores!!


    Rô, como sempre te digo, o principal é que quero te ver sempre feliz!!!Amo voce meu amigo eterno!!!!

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    1. Tá certíssima, Elaine! Tô nem aí para o Dia dos Namorados. Com ou sem, o que importa é ser feliz. Tanta gente de aliança no dedo que não sabe o que é dançar sozinho na sala e sorrir para a vida! Tô me namorando muito, haha!

      Sobre o filme, topo estrelar, mas meu cachê é muito alto, não sei se vai rolar, rsrs.

      E, sim, já me conscientizei de que mereço o melhor nessa vida. O que inclui a parceria amorosa. Tô exigindo padrão Fifa, ou não tem negócio. Cansei de relativizar as possibilidades. Se não for bom, não quero. E pronto. Geralmente, descubro em duas semanas, kkkk.

      No mais, já tenho os amores da minha vida por perto: amigos, família, o sr cosmo, haha! E vc está dentro!

      Bjos com gostinho de paciência (não muita!)

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  2. Vamos assistir de camarote o fight: liberdade X paciência, a hipocrisia do dia dos namorados, e a abertura da copa do mundo, brindando com cosmos pro recalque passar bem longe kkk

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    1. Lembrando, Saulo: não quero briga entre paciência e liberdade. Quero parceria! Rsrsrs.

      E xô recalque! Haha!

      Abs!

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  3. Amore, mio bambinooooo kkkkkkkkkkkkkk seguinte, fioti: delícia de texto...brigadeiro de panela, bolo quentinho, café passadim na hora uma gostosura dessa em plena noite de segunda feira...ah...meu lindo, que dia punk hoje, mas que começo de noite adorável te lendo e compreendendo exatamente tudo, tudinho o que vc diz e sente.

    Vivemos um momento de enamoramento de nós mesmos e isso não tem preço, ouro de mina chegar a uma fase da vida em que se pode dançar consigo na sala, se olhar no espelho e ter orgulho do que vê, simplesmente porque a coisa certa foi feita, de fato e de direito. Né?

    Estou descobrindo um prazer e uma alegria na liberdade e na solidão produtiva que vem com ela: metade calabresa, metade portuguesa
    kkkkkk e tenho dançado na sala, exatamente igual a você...incrível como eu nunca tinha vivido isso, incrível como eu também não estou disposta a vender minhas emoções por 1,99 e ser paciente com quem não vale uma pipoca estourada. kkkkkkkkkkkkkkkkk Nossa, engordei 10 kilos nesse coment.

    Rô, creia: o melhor está nessa travessia, saibamos vivê-la, ao som de Madona ou do meu amado samba rock, degustando um cosmopolitan ou o melhor café mineiro, mas LIVRE...livre para DESCOBRIR, experimentar, observar ao nosso redor, sem pressa, sem aflições.

    Amo você, meu amigo, meu querido. Sempre pra vc.*

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    1. Então, Maria Tereza, tem hora que dá até medo, rsrs. Porque, de fato, está bom até demais.

      Minha vida, nos últimos meses, parece série americana, com mil coisas acontecendo, especialmente no campo pessoal, numa velocidade inacreditável. E o que mais tem me surpreendido é que tomo as decisões, sem depois olhar pra trás. Inédito!

      Fico imaginando que, a qualquer momento, vou atender o telefone e uma voz demoníaca vai dizer: "duas semanas". É o tempo que terei pra conhecer e decidir sobre o próximo, kkkkk.

      Enquanto isso, danço na sala, bebo uns drinks, vou a pré-estreias e beijo na boca. Qualquer paixão me diverte. De duas em duas semanas, tô conhecendo o mundo, rsrsrs.

      Descobrir, experimentar, observar sem pressa...verbos que havia me esquecido de conjugar e que, hoje, se tornaram meu lema. Até quando eu quiser!

      Nisso (me refiro ao poder de escolher e tomar as rédeas da situação), e em tantas outras coisas, sei que nos identificamos. Eu com meu cosmo aqui, você com seu cafezinho aí, e assim seguimos dançando e comemorando essa felicidade que a gente descobriu na liberdade.

      Tô me sentindo, kkkk. Bjos, minha amiga querida. Amor imenso por você! E um viva para a vida sem aflições!

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  4. Ufa! Achei que eu era a única chata com o direito de ter preguiça de algumas novas parcerias. Amor-próprio e maturidade geram exigência, fato! Ai que preguiça.hahahaha
    Adoreeei o texto, pra variar.
    Beijo, gatinho

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  5. Vixi, Lu, ando chato pra caramba! kkkkk. Parceria tem que somar. Do contrário, melhor sumir, rsrs. Bjos e muita sdd de vc.

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  6. bom, já vi que não sou a única no planeta sozinha a degustar essa tal liberdade que causa um pouco de medo e de prazer ao mesmo tempo. É bom ter esse momento de pausa para curtir a si mesmo e reforçar o amor próprio...auto-estima. Se preparar para o novo que com certeza virá quando estivermos distraídos! Bjs...Rose

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    1. Então, Rose, Martha Medeiros preconizou, salvo engano, que o amor gosta mesmo é dos distraídos. Que venham inúmeras distrações, não é mesmo? Bjão.

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    2. Sim, distrações são sempre vem vindas, rsrsrsrsrs...bj, Rose

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