segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Questão de tempo

Tudo pode ser
Bom, se você queria, justo aqui, um balanço do ano, não me conhece MESMO. Eu não suporto retrospectivas. Principalmente as minhas. Costumam ser densas demais. Li em algum lugar que felicidade é distração. Me distraí e me esqueci de olhar para trás. Portanto, quero que 2013 fique exatamente onde está: 365 dias atrás de mim. 

Foi bom, foi ruim, só que chega. Aprendi a agradecer por tudo, mas não cozinhar o passado com muita frequência. O que eu quero está ali na frente. E eu já tô chegando. Sem choro nem vela.

Talvez por isso, tenha ficado tão incomodado com "Questão de Tempo", meu último filme do ano. Assisti depois de devorar um sanduíche e quase tive uma congestão. É bonitinho, sim. Feito pra fazer chorar (o que eu abomino). É sobre um homem que viaja no tempo para corrigir os erros. No final, fica a dica: viva mais leve, sorria, apesar dos problemas. Ame, sem mágoas. Porque não dá para corrigir as besteiras que fazemos. Mas é possível aprender com elas e melhorar. Já vi isso em algum lugar. Outros filmes. Até no programa da Xuxa. O que esperar, afinal, dos mesmos roteiristas de "Notting Hill"?

O filme me obrigou a olhar para trás, o que já me contrariou de pronto. O pior mesmo foi assistir na telona a uma ideia tão clichê, presa na mesma caixa. A felicidade, segundo essas comédias românticas sazonais, está atrelada a uma penca de filhos, ao casamento tradicional, às loucuras comportadas. Isso eu não engulo desde os meus dez anos. Filho PODE ser bom (minha mãe pensou assim, aqui estou eu). Família PODE ser legal (a minha passou longe). Casamento PODE dar certo (minha lenda urbana preferida). Enfim, eu conto com as possibilidades. Tudo PODE ser. Mas não lido bem com as imposições. Principalmente as do cinema. 

O grito de alívio veio num vídeo que recebi de uma amiga. Nele, sim, há a possibilidade, a identificação, a liberdade. Não importa o caminho, a felicidade é uma escolha. E ela depende apenas do auto-conhecimento. A dita-cuja tem 35 anos, não casou, não foi mãe, não se arrepende, mas sente a pressão do mundo nos ombros. A mesma que obriga tanta gente a levar a vida convencionada como a mais certa e segura. 

Que se dane essa palhaçada toda! Assista, é curtinho. Reflita. Nem precisa olhar para trás. Basta olhar para si mesmo. As respostas são só uma questão de tempo. Agora, se você ainda não aprendeu inglês, está aí uma meta para cumprir no próximo ano, mais válida que a dieta. Feliz 2014.

4 comentários:

  1. Querido Amigo,

    Quando terminou “Questão de Tempo”... Fiquei em meio às poltronas vazias com a sensação... que embora seja difícil e para que os arrependimentos não nos atormente no futuro e batam a nossa porta como “Espíritos do Natal” cobrando nossas más ações... Devemos viver bem nossa vida - porque em verdade de momento a momento vivemos, e esse momento é ‘único’ e escorre pelo fio da existência sem a chance de retomá-lo ou mesmo corrigi-lo... E descobrir e apreciar a beleza até do trivial em nossa vida é o caminho que pode além de trazer satisfação pessoal, ser traduzida na tão aclamada felicidade e que esse sentimento não está atrelado ao convencional, bem dito por você (casamento, filhos e blá, blá, blá), e sim, ao que nos faz bem e não prejudica aos demais.

    Em meio a tantas coisas que saltou da minha memória a frase dita ao Principezinho após sua saga, descobriu que a rosa em seu planeta, embora parecesse ‘comum’ era única porque lhe havia cativado:

    “- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.”

    Vi em algum lugar escrito... “A vida informa: - Falta de coragem causa perda de momentos incríveis!!!”

    Por essa e outras... VIVA LA VIDA!!!

    Beijos!!!

    Sandra

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  2. Sandra, concordo com tudo o que você disse. E amo a história do principezinho. Mas "Questão de Tempo" é um desses filmes que tinha tudo para ser um bom filme e acabou desperdiçado por um roteiro e uma visão muito quadrados.
    É claro que dá pra gente aproveitar alguma coisa, desde que com parcimônia. A mensagem é clássica e serve em qualquer tempo. E, em muitos casos, o caminho para a felicidade pode ser, sim, construir uma família grande, com muitos filhos, e viver de acordo com o senso comum. Mas e todos os outros que optam por caminhos diferentes? Vão continuar à margem das belas mensagens do cinema, do que a arte pode fazer por eles? Vão continuar se sentindo estranhos, excluídos, deslocados, já que nem um filme, nem mesmo o mais elementar, é capaz de contemplar outros pontos de vista?
    Conheço muita gente feliz com a família que tem. Mas também sei dos infelizes, que lamentam não ter trilhado outros caminhos, ou, ao menos, se questionado.
    O fato é: não escolher o que todo mundo espera ainda é um tabu enorme. As pessoas cobram, acham que não dá para ser feliz de outro jeito. Mas dá. Dá pra gostar de crianças, de bichos, de se reunir com os queridos no Natal (ou não) e, ainda assim, optar por um estilo de vida que, raramente, vemos bem representado na TV ou na sétima arte. Há os sozinhos (e felizes!) por opção. Há os casais sem filhos. Há as famílias formadas por amigos, ou casais gays. Há uma gama tão vasta! Volto a perguntar: cadê tudo isso? Onde a gente vê? Por que Hollywood ainda gosta de brincar de novela das nove?
    De qualquer forma, acho que o filme deixa o seu recado: ame, sorria, enfrente os problemas com leveza. Pra não se arrepender. Só por isso, já vale. Mas quantos vão interpretar assim? E quantos vão sair daquela mesma sala de cinema, tristes, porque não encontraram alguém ou não procriaram?
    A discussão vai longe, né? Pois vamos continuar com vinho e risadas, topa?
    Um beijo!

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  3. Sim, vai longe... mas ainda estou com o exemplo da argentina do vídeo, escolhas próprias, mesmo que isso me pese, pois esse estado que é a Felicidade depende do quão satisfeitos estamos conosco nesta vida.
    E topo continuar com um bom vinho e risadas, afinal brindar com os amigos que queremos bem, são momentos inesquecíveis, não?!
    Beijos

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  4. É isso mesmo! No fim das contas, o amor e as amizades verdadeiras não cabem nas limitadas embalagens das convenções que nos empurram goela abaixo. Um brinde a essa descoberta. E por filmes melhores nos finais de ano, rsrs. Bjos!

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