segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Uma vida possível

Sandra Bullock, eu te amo 

Chorei três vezes em "Gravidade", do diretor Alfonso Cuarón. A culpa é de Sandra Bullock, forte candidata ao Oscar pelo papel.

As lágrimas têm uma explicação simples: identificação. É a palavra mágica que justifica o sucesso de um filme, de uma música e até de um relacionamento. "Gravidade" está no topo das bilheterias há um mês. Pelo jeito, eu e o mundo nos identificamos com a obra.

Eu chorei junto com Bullock nas três sequências em que ela achou que morreria. Numa das cenas, uma frase dita pela personagem, durante a tentativa de entrar na atmosfera terrestre, me marcou como ferro em brasa: "Há duas possibilidades: eu posso morrer queimada nos próximos dez minutos, ou sobreviver e, então, seguir com a minha vida. Não importa o que aconteça, quero que saibam que não é culpa de ninguém. E que, de qualquer forma, terá sido uma experiência maravilhosa".

O pensamento não vale só para quem está chegando do espaço, após uma experiência fora do comum. Vale para todos nós, em qualquer circunstância, diante dos desafios, grandes ou pequenos. 

No filme, Bullock enfrenta as adversidades com bravura. Mas é humana e, não raramente, pensa em desistir. Principalmente quando lembra que não há ninguém especial olhando para o céu, pensando nela. A luta pela sobrevivência e a vontade de virar o jogo, felizmente, falam mais alto. A cena final é forte, poética, avassaladora para quem tem um coração que pulsa. É o emblema da superação e do recomeço.

"Gravidade", apesar dos efeitos belíssimos e muito bem executados, tem falhas científicas, já apontadas em dezenas de sites especializados. Uma bobagem, já que o filme funciona muito melhor como uma parábola. Parece ter sido concebido com essa finalidade. Para mim, foi como uma viagem ao universo vasto e misterioso do meu interior.

No início da projeção, somos avisados: no espaço, a vida é impossível. Não há oxigênio. Não há propagação de som. A nossa vida aqui embaixo, por vezes, também é. Falta o ar. Falta a trilha sonora para o drama, a alegria, a paixão. Sobram obstáculos e melancolia. Onde está aquele alguém especial que me olharia daqui, se eu estivesse flutuando entre destroços de satélites? Onde está meu momento extraordinário? É preciso admitir que, vira e mexe, dá vontade de jogar a toalha. Por que seguir em frente, às vezes, parece tão penoso?

Se está difícil para a gente, imagina para a Sandra Bullock? Foi assim, com as lágrimas ainda escorrendo, porém descontraindo, que deixei o cinema. Pensei em tudo: nas alegrias, tristezas, amores, decepções, expectativas e realidade. Não consegui chegar a conclusão alguma. Um turbilhão aqui dentro ainda apita, ensurdecedor, ofuscando muito do que vem sendo projetado na grande tela da minha existência.  

A esperança não esmoreceu. Se há oxigênio, há vida possível. Esse é o nosso grande desafio. Meu, seu, de Sandra Bullock, de todo mundo: tornar a vida possível. Em alguns momentos, vagamos, perdidos, tentando agarrar qualquer coisa que nos devolva a estabilidade. Dá saudade até do útero (uma cena, aliás, muito bem representada em "Gavidade"), onde tudo era quentinho, confortável e seguro. Mas é na ventania que aprendemos a perseverar.  

"A perseverança é a mãe da boa sorte", escreveu Miguel de Cervantes. Que assim seja. Só mais uma coisa: Sandra Bullock, eu te amo.

9 comentários:

  1. Rooooo!!!!vc se emocionou com o filme e eu to aqui emocionada com seu texto!!!!nao sei explicar , mas lendo seu texto também preenchi meu interior com um turbilhão de emoções!!! So olhando em meus olhos agora p/ entender *-*!!! Quando li o inicio do texto fui pensando e “colhendo” cada palavra, e ai o que eu estava “ sentindo” vc resumiu na palavra “parábola” !! a vida é assim mesmo, ate fiquei pensando se cada um de nós tivéssemos uma trilha sonora...aaaahhhh, adoraria que a minha fosse Take my hand (Dido) ou então I crazy for you ( Mdna ) rsrsrs, !!!!Ainda não fui “gravitar” no cinema rsrsr, (espero q de certo este fim de semana)!!!Fiquei super animada para ver esse filmaço depois do seu textoo!!!( hahaha to achando q vc foi contratado pela Sandra Bullock pra promover o filme hein!!kkkkkkkk) !!! E concordo plenamente : se houver um “fio de oxigenio” haverá esperança para tornar a vida possível!!!!!Ro meu lindo vc se emocionou com Sandra Bullock e eu me emocionei com vc e o texto de hoje!!!Obrigada mais uma vez por preencher não so a minha, mas a cultura de todos que lêem seu blog!!!!Big Bj

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  2. Que bom que o texto tocou seu coração, Elaine. Hoje, acordei bem emotivo, sem razão aparente, e acho que isso transpareceu no texto. Me lembrei muito do filme, de como a gente tem altos e baixos e de como transitamos nessa bipolaridade de tempos em tempos. Vou te confessar: tem dia que é foda, rsrs. Mas como diz minha mãe: "Isso também passará".
    Minha trilha sonora tem tanta música. Hoje, talvez, a do filme mesmo, com toda aquela suavidade, beleza, força e, às vezes, melancolia.
    Obrigado novamente pelas belas palavras e pela sua presença aqui no blog. Vamos pra balada logo pra gente sacudir esse "bode", hehe. Bjos.

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    1. Simbora pra night entao sô kkkkk!!! e qto a melancolia Rô, talvez seja ate uma nostalgia, mas aquela nostalgia gostosa, calma, que as vezes serve de momento para reflexão, e isso é bom para nossa alma e sua evolução!!! aguardando balada então!!!bjuusss

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    2. Evoluindo...rsrsrs. Tem dia que dou três passos para a frente. Aí volto quatro. Depois dou mais três, talvez dois para a frente. E assim a gente segue, a passos lentos, mas crescendo.

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  3. Querido! !saudades de vc! Amei seu texto ...suas palavras...vc sentiu algo muitoo parecido comigo sai do filme quietinha...e fiquei pensando muito e fiquei feliz por algumas atitudes e valores que tenho! E quero sempre te ver muitoo feliz e de bem com a vida! Beijos meu lindo! Te adoroo! !
    Mo

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  4. Já descobri, é vc, Mônica Siqueira! Só podia, hehe. Também te adoro, linda. Uma pessoa de quem gostei de cara! Obrigado pela sua visita e seja sempre muito bem-vinda. Luz pra gente!

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  5. Vi só hoje. Lembro que, em Despedida em Las Vegas, eu conseguia sentir o cheiro do álcool e, muitas vezes, náuseas. Tinham sido o dois único filme que me transmitiu sensações físicas que vão além das emoções, sempre afloradas. Hoje senti falta de ar diversas vezes. Perdi as contas de quantas situações em que eu respirei fundo com ela, mas o oxigênio parecia faltar. E fiquei pensando no quanto somos pequenos diante do universo, e no quanto somos grandes diante do universo. O fim, épico, me fez pensar duas coisas: uma ironicamente cruel, e acabei rindo muito. Quando ela se deita na margem do rio, fiquei esperando chegar um crocodilo e nhac! kkkkkkk Tanta luta pra terminar no estômago do bicho. kkkkkkkkkk Tô rindo disso até agora. Em outra, quando ela se levanta e olha a frente, vê uma selva. Por um instante, ignorei o resgate a caminho, avisado pelo rádio, e imaginei que, embora uma vitória monstruosa acabara de acontecer, ela agora teria que enfrentar a floresta, para sobreviver de novo e encontrar resgate. Uma nova saga, um novo desafio, e dos grandes, como os que a gente tem na vida, e que não acabam nunca. Enfim, filme bom não é aquele em que vc sai comentando depois. Filme bom é aquele que te deixa quieto no fim, por longos minutos. Esse foi um.

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    1. Ricardo, sua imaginação é típica de quem anda assistindo a muitos filmes de terror. Eu não te culpo, rsrs. Mas tinha certeza de que você gostaria de "Gravidade", porque é um filme que deixa mesmo a pulga atrás da orelha: afinal, do que estamos reclamando na vida? Já imaginou a gente no lugar da Bullock? Hehe. Abs!

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