domingo, 28 de julho de 2013

Homenagem a Pituco

Au-au!

Foi amor à primeira vista, naquela tarde de sábado, quando vi você pela vitrine da pet shop, brincando com um cachorro três vezes maior. Já no colo, você encostou a cabecinha no meu peito. Nós dois nos escolhemos.

Cuidei de você como cuidaria de um filho. Sempre limpo, bem alimentado, educado (na medida do possível) e vacinado. O que eu mais queria era prolongar sua vida, para que pudéssemos ter a companhia um do outro por muito tempo.

Dizem que o cão é a cara do dono. E você não fugiu ao ditado. Impôs sua personalidade forte, conquistou espaço, amante do sossego e avesso à falsidade. Prático, de fácil convívio, sem exageros. Um companheiro e amigo na medida certa.

Te agarrar para dar um beijinho na orelha sempre foi coisa nossa. Assim como curtir um filme no sofá, até a hora em que me pedia para ir ao seu cantinho sagrado, preparado com muito conforto, garantia de uma boa noite de sono.

Você continua sendo o Pinscher mais bonito e especial que conheci. Quieto, bonzinho, carinhoso, mas, de novo, sem excessos. Admirável, elegante, repleto de qualidades. Entre os defeitos, todos toleráveis, vou dizer: meio ranheta e mijão. Todo pé de mesa ou cadeira (para não mencionar as almofadas) tem sua marca. Fazer o quê? Nunca consegui mudar isso. 
Quem ama, aceita.

Nestes 12 anos de parceria, alegrias não faltaram. Nem fotos fofas, como esta, com um close da sua carinha perfeita entre as flores. Te dar comida e banho, por mais trivial que pareça, sempre foi um prazer. Vi você ser pai, antes da castração, e crescer saudável como um touro. 

A velhice, no entanto, chegou acelerada. Por mais cuidados que tivéssemos, nos sentimos impotentes diante das suas tendências genéticas. Tratamos do sopro no coração, mas logo outros sintomas apareceram. Nada foi suficiente para segurar você aqui conosco.

Jamais vou me esquecer do dia em que chegou. E do que partiu. Morreu nos meus braços, enquanto te colocava sobre a balança para checar o peso. Já estava inchado demais, os órgãos parando, o coraçãozinho dando tudo o que tinha para bombear o sangue. 

Chorei até os olhos doerem. Mas você foi um gentleman até na hora de dizer adeus. Esticou uma das patinhas, olhou para cima e, pouco a pouco, relaxou e foi embora. Sem um pio. Sem dar trabalho.

Pituco, meu pretão, faz um mês e ainda não consigo me acostumar com a ausência. Choro antes de dormir e sinto muita saudade. Teu corpinho está enterrado lá no quintal, perto do pé de caqui. Teu espírito, certamente, está restabelecido, num lugar melhor e à minha espera. Vamos nos reencontrar, tenho certeza. 

Quando eu chegar, sei que vai me receber daquele jeito, rodeando meus pés e choramingando de felicidade, pedindo colo e o beijo na orelha. Você continua sendo muito amado. Mas como dizer "eu te amo" a um cachorrinho que, em vida, entendeu muito mais que as palavras? Já sei: au-au. Descanse em paz, meu filhote. 

10 comentários:

  1. Nossa, que lindo. Não poderia estar mais a altura desse lindão que deixa saudade. Ele é extamente tudo isso que você colocou. Uma homenagem maravilhosa.

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    1. Chorei ao escrever. Ainda é muito difícil saber que a ausência dele é definitiva. Mas ficou tanta lembrança boa...

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  2. Que texto lindinho Rô!! Um beijinho no seu coração!! De uma amiga que te ama muito ... Karina.

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    1. Você, como amante dos animais, é fácil de agradar com este texto, Ká. O amor é recíproco. Bjo.

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  3. Esses companheirinhos com pelo e rabinho sempre fazem diferenças boas em nossas vidas! Sou suspeita pra comentar.rs

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    1. Oi, Lu. Sei como gosta desses peludos, especialmente gatos, né? Eu gosto muito de bichos em geral, mas os cães sempre tiveram lugar cativo no meu coração. O Pituco era muito mais que um animal de estimação para mim, acredite. Bjo e apareça mais vezes!

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  4. Lindo d+ o texto, chorei até me colocando em seu lugar, eles são verdadeiros d+ e merecem todas as homenagens....

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    1. Oi, Gislene. É difícil mesmo segurar as lágrimas. Os bichos têm um jeito de tocar a gente muito especial. Obrigado pela visita. Bj.

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  5. OII Rodrigo!!parabens pelo blog!!!estou adorando os textos, (ja li varios, e logo terei lido todos)!! e este em especial, pois imagino o quanto deve estar sendo triste ficar sem o Pituco, tenho meus amores caninos e bichanos aqui em casa e nao imagino minha casa sem a alegria deles.Sucesso sempre!!!bjuuuss

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    1. Obrigado, Elaine. Sempre achei que boas pessoas são aquelas que, entre outras coisas, gostam de bichos. Fico feliz que esteja "viajando" pelos textos do blog e se divertindo. Fique à vontade. Um beijão pra você.

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