domingo, 10 de junho de 2012

Dia dos Namorados

Pela primeira vez
Pela primeira vez, em quatro anos, abri a porta da sacada e, sob o sol da manhã de inverno, apreciei a vista e tomei meu café, bem devagar, enquanto ouvia LeAnn Rimes cantar as doçuras e amarguras do amor.
Pela primeira vez, em muito tempo, senti serenidade ao som de músicas que passeiam do êxtase à agonia, da felicidade à aflição, da carência à gratidão.
Pela primeira vez, em vários aniversários, troquei a companhia dos amigos na boate pela minha, em casa. Comemorei debaixo do edredom, curtindo a minha festa, regada a tranquilidade, televisão, comidinha gostosa e cama acolhedora, sem um pingo de pesar pela escolha.
Pela primeira vez, liguei para os que me importam e abri meu coração, sem medo nem orgulho, grato por poder amar tão livre, sem esperar retorno, feliz por nada. O retorno, de qualquer forma, é uma incontestável consequência que sempre me surpreende.
Pela primeira vez, aprendo, na prática, que sem amar a mim mesmo, jamais seria capaz de amar o outro. E que apego, de fato, não tem nada a ver com amor. 
Pela primeira vez, me vejo como um experimento de Deus que dá certo, na medida em que adquiro sabedoria suficiente para me amparar e sentir, simplesmente, paz.
Pela primeira vez, quando digo "eu te amo" a quem estimo, sinto transparência e lucidez. Depois de uma necessária viagem solo, tenho equilíbrio e satisfação nas pequenas e grandes coisas que reencontrei, redescobri, e outras tantas que começo a descobrir agora.
Pela primeira vez, o Dia dos Namorados tem outra cor. Estou feliz pelos casais apaixonados que podem comemorá-lo com sinceridade. E mais feliz ainda pelos solteiros que entendem que a busca pode ser divertida, light, iluminada, e que o amor só aparece quando estamos bem estruturados, prontos a dizer "sim" para o que vale a pena.
Na sacada, com meu café e canções românticas, percebi que a reconquista do meu espaço trouxe a certeza de que estou pronto e disposto a dividir os meus momentos e a valorizar a companhia. 
Mesmo quando não houver ninguém por perto, conquistei conforto para a alma. Desta vez, com raízes profundas. No fim das contas, sempre terei a mim mesmo, com alegria. Porque, enfim, compreendi e aceitei o que Guimarães Rosa, certa vez, escreveu: "A vida é assim: esquenta e esfria, aperta, daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem".

7 comentários:

  1. Minha reação diante deste texto tão cheio de autocontentamento foi um suspiro um pouco mais longo que breve e com ar de "que bom, ele se encontrou".
    Beijo, Rozinho

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  2. É exatamente isso, Lu. Também suspirei, longamente. De alívio e satisfação. Obrigado pela amizade, minha querida. Sempre! Bjos e boa semana!

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  3. Honestamente o texto me assusta !!!
    Tiago

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  4. Bom demais te sentir assim e poder participar dos seus próximos passos que, com serenidade e muito amor, nos levarão a uma vida plena. Um beijo. "Feliz por nada", amém!

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  5. Passou o susto, Tiago? Honestamente, não entendo por que. Amor próprio não deveria assustar ninguém, e sim inspirar. De qualquer forma, um abraço. E toma um copo de água com açucar que melhora, rsrs.

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    Você tem razão, Má. Serenidade e amor são as palavras certas neste momento. Dois sentimentos que devem andar de mãos dadas, não importa o quê! Só assim é possível alcançar a plenitude na vida a dois. Feliz por nada, graças a Deus! Outro beijo.

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  6. Ahhhhhhhh coisa mais querida esse mininu! Olha...segurei aqui a emoção...não tô podendo chorar agora, acabo de me maquiar...aquela massa corrida básica, né? kkk

    Mas vou te dizer: será que dá pra vc escrever mais sobre desapego...hã? Eu sou muito apegada...embora já tenha melhorado muito e tô em plena fase de amar sem cobrar, reduzindo expectativas. (Vc acha isso possível???). Tô tentando...beijo e ó: amo Guimarães! "Viver é um descuido prosseguido".

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  7. Hum, adorei essa frase do Guimarães. Concordo com força. Mesmo com cautela, a vida acontece!
    Maria Tereza, eu diria que amar, reduzindo expectativas, é possível e aconselhável. Mas amar sem expectativa alguma é impraticável. Um pouquinho de cobrança faz bem e é necessária até para que haja troca. Mas o apego estraga tudo. Li um livro que tem uns trechos ótimos sobre este assunto. O título é: "Eu te amo, mas sou feliz sem você". Parece radical, a princípio, mas é de uma verdade assustadora!
    Um beijo pra vc, ótima semana e, novamente, obrigadíssimo pelas visitas aqui no meu humilde cantinho.

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