sábado, 19 de maio de 2012

Mudou


Vida que segue

A hora de levantar mudou. De pé, por volta das três e meia da manhã, sem reclamar, incrível. Outra coisa, outra cor, outro clima, outra luz.
Darwin preconizou: "Não é o mais forte que sobrevive, nem o mais inteligente, mas o que melhor se adapta às mudanças". Vale para a biologia. Vale para a alma.
A trilha sonora mudou. "Starships", "Turn Up the Radio", pode mandar um flashback também. Até disco tá valendo. Não, Donna Summer não morreu. Yes, "I Feel Love", baby. Outro volume, outro espírito. A festa acabou de começar.
Os livros mudaram. Acabam mais rápido. A leitura, mais prazerosa e faminta. Drama, mistério, romance, tem lugar pra tudo o que for interessante. Aliás, de repente, tudo ficou mais interessante
As companhias mudaram. Gente nova, alegre. Impressionante como atraímos quem vibra na mesma frequência. Os velhos companheiros permanecem, mas até eles se mostram ainda mais queridos e iluminados.
O fim de semana mudou. Os graves da balada, embora esporádicos, bombam com mais força e charme. Mais atenção aos olhares, sensações e consequências. Em casa, a tranquilidade se cobriu, finalmente, com o manto branco da paz.
As mensagens no celular mudaram. Outros personagens, outros tons, outros convites, outras expectativas. O telefone, enfim, toca diferente.
O coração mudou. Bate mais solto, mais livre, mais leve, dá até para respirar.
O sorriso mudou. Não está mais posado, pronto para a foto. Está mais frequente, natural, sincero.
O cinema mudou. Está mais emocionante. Sozinho. Acompanhado. E fiquei mais seletivo, dei um up grade no filtro.
O apartamento mudou. Novos espelhos me encaram, novas mantas esquentam a cama e enfeitam o sofá. Na geladeira, agora, tem danette e chantily!
O medo mudou. Virou coragem, com um misto de satisfação. O desconhecido me deu as mãos. Andar no escuro, vez por outra, pode ser tão emocionante quanto compensador.
Não existe segredo. É vida que segue e me abraça, conforme a caminhada se realinha com o bem-querer, o bem-fazer, o bem-estar. 
No calçadão de Copacabana, esbarrei em Drummond. Ele cochicou no meu ouvido uma lição preciosa: "Ser feliz sem motivo é a mais autêntica forma de felicidade". 
Uma lição que cada um aprende a seu tempo. O aprendizado tem sido mais fácil e rápido do que imaginei. E do meu jeito. Uma delícia.   
  

4 comentários:

  1. Ô, meu Deus, acho que o seu paraíso astral chegou antes do previsto! Tem vezes que basta mudar uma ou duas peças pra que o resultado seja completamente do anteriormente vivido, né?
    Oh, estou muito contente de poder ver toda essa mudança boa de pertinho. Vamos que vamos!
    Amanhã já é junho?hahaha. Beijo com gostinho de bolo de aniversárioooo

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  2. Lu, as mudanças externas foram resultado de um clique aqui dentro. Esse clique ganhou mais força ultimamente. Comentei com a minha irmã, dia desses, como as coisas mudaram e melhoraram! Hoje, sei o que quero pra mim (e, portanto, o que não quero também). Ontem, por exemplo, dispensei, com gosto, uma oportunidade emocional que muitos estão morrendo pra ter. E nunca me senti tão bem!
    Sim, junho já tá chegando, e o inferno astral, Lu, já tá lá atrás! E nós vamos comemorar essa nossa (sim, NOSSA) ótima fase juntos. Pronta pra festa do nosso niver? Tô te esperando, hein! Bjos.

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  3. Ahhhhhhh que texto maravilhoso de bem escrito, gostoso de ler e de sentir...vim aqui em busca de oxigênio e encontrei, obrigada por isso, meu querido.

    Senti uma ponta de inveja de você...ponta não, monte kkkk queria na verdade ter sua idade e poder me renovar assim. Aproveite, erre erros novos...Um beijo grande,seu lindo.

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  4. Obrigado, Maria Tereza! E não precisa sentir inveja. Não sou tão novo quanto pareço, rsrs. Mas continuo um eterno otimista, sem medo de errar e com muita vontade de acertar!
    Volte sempre que quiser oxigênio. Espero estar sempre à altura de suas expectativas e do seu conteúdo!
    Um beijo, minha querida.

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