quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Me add?

Só queremos ser aceitos


Me add? O ponto de interrogação mais clichê da internet - e que eu dispenso - norteia "A rede social", de David Fincher, um dos favoritos ao Oscar. Vi, gostei e recomendo. O filme, que a princípio parece ser sobre a batalha judicial acerca da criação do Facebook, não é entretenimento apenas para espectadores com noção básica sobre as redes sociais. É também um libelo atual e realista sobre a incessante e paranoica busca por aceitação.
Marck Zuckerberg, o pai do Facebook, deve a essa busca os 25 bilhões de dólares que acumulou até agora. A rejeição pela paquera da faculdade, o que aos olhos de muitos é algo bobo e corriqueiro, foi o trampolim para a fortuna. Frustrado por não ser correspondido, Zuckerberg inventou a ferramenta que hoje conecta meio bilhão de pessoas. E que, assim como ele, só querem ser aceitas.
O filme de Fincher mostra que o mérito de Zuckerberg, eleito como a personalidade do ano pela revista Time, não é exatamente o Facebook, tão ou mais tolo que Orkut e similares. O mais jovem bilionário do mundo é notável por transformar um limão azedo (o amor de mão única) em uma limonada saborosa. O nerd ignorado pela namorada foi, então, aceito pelo mundo. Ao menos financeiramente, saiu no lucro.
"A rede social" brinca de maneira inteligente e menos óbvia com outras camadas do senso comum. O Facebook é a tal da casa de ferreiro com espeto de pau. Como pode algo tão popular e rentável ter saído da cabeça de alguém tão tímido, quase antissocial? Zuckerberg é, sem dúvidas, empreendedor. Mas sua invenção é, antes de tudo, a antítese de um caráter reservado, muito mais afeito ao amor pleno que aos bilhões conquistados graças à eterna procura por algo que nos preencha. E que certamente não é o dinheiro. Os bilionários, enfim, são felizes? Em "A rede social", a julgar especialmente pela última cena, é fácil concluir que nem sempre.
O filme, se tomado como metáfora, é um retrato indigesto de cada um de nós. O sucesso do Facebook está diretamente linkado à insegurança que nos guia rumo a uma necessidade vazia de popularidade e aceitação para aplacar a rejeição daqueles que um dia desejamos ter ao nosso lado. "O maior preço que se pode pagar por alguma coisa é ter de pedi-la", escreveu Marcel Achard. Há algo de errado e contraditório, portanto, em pedir para ser aceito, seja na vida real, seja na fantasia delirante dos sites de relacionamento.
Zuckerberg, que acaba se revelando muito mais interessante do que a ferramenta que criou, deu uma bengala virtual de presente a um mundo emocionalmente manco que também pretende se divertir e se comunicar. O que a gente realmente quer é amor de verdade. Daqueles à moda antiga, tête-à-tête, difícil de achar. Enquanto isso, me add?

6 comentários:

  1. Rodrigo, parabéns pelo texto !!!
    Nos leva há algumas reflexões....
    Hoje os valores estão trocados, a pessoas preferem a companhia de um pc dentro de um quarto ou mesmo do laptop, já é comum você ir ao shopping e ver pessoas em seus laptop na área de alimentação fazendo uso de mensagens instantaneas.
    Falta, falta muita coisa !!!! o olho no olho, o abraço amigo, o aperto de mão, aquela conversa boa, risadas, as vezes sem perceber estamos vivendo mais no mundo virtual do que o real, a tecnologia tem tornado as pessoas mais distantes uma das outras. As vezes é mais fácil falar com o amigo pelo msn, skype, do que ir lá na casa dele.
    Bom de uma coisa podemos ter a certeza que uma das melhores coisas que se tem na vida, é viver momentos felizes com quem amamos, respeitamos, admiramos, porque do que vale a pena viver uma vida toda com muito dinheiro, mais sem amor !!! e o amor não é somente aquele entre homem e mulher, "carnal", amor é aquele que não precisa ser falado e sim apenas sentido.
    Afinal, quem de nós nunca jogou fora minutos as vezes horas em frente a tela do computador, olhando fotos, deixando scraps, em redes sociais, bom quem o nunca fez que atire o primeiro "scrap" !!!
    Abraço e sucesso !!!

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  2. É isso mesmo, Tiago. Só o amor pode dar sentido a tudo, inclusive a essa faca de dois gumes chamada internet. Valeu pela visita, um forte abraço.

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  3. Rodrigo,
    Muito bom o seu texto.
    Engraçado, coincidentemente esses dias falei no meu facebook, que odiava aquele espaço, falei sobre o quanto me incomoda essa coisa sempre UP, é sempre tudo tão incrível todo mundo é super, acho isso um saco, e ainda tem aquela coisa de "curtir", vejo amigos inteligentíssimos "curtindo" cada bobagem escrita, não tenho paciência, mas estou lá, também faço parte disso, todos estão lá.
    Enfim uso para enviar algum recado, e quanto aos encontros prefiro convidar os amigos (de verdade) para um café no meu quintal no final da tarde (quintal que por sinal tem muito verde, flores e aconchego).

    um abraço carinhoso.

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  4. Pois é, meu amigo, não tenho saco mesmo pra facebook e similares. Parece tudo coisa de adolescente mal resolvido. Tô fora. Msn e e-mail bastam, hehe.
    Um abraço pra vc tb.

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  5. Gabriela Costa
    Boa noite Rodrigo tudo bem?Bom acabei te encontrando também no seu blog,realmente achei muito interessante o que foi descrito por você,pois infelizmente a sociedade nos impõe que sejamos o que não somos realmente.A internet tem seu lado muito bom pois nela conseguimos demosnstrar os nossos comportamentos e quem somos e ai fica a critério de cada um nos aceitar ou não.Realmente o que vale é o amor que constrói tudo e muda totalmente alguns pensamentos obscuros que temos sobre algumas pessoas ou coisas.Tudo de bom pra vc.bjus

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  6. Oi, Gabriela. Que bom encontrar vc por aqui e saber que gostou do texto. Volte sempre. Bjão.

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