quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Arco-íris

Pop travesti


Os maldosos já dizem que visitar São Paulo sem bater em um gay na Paulista é o mesmo que ir ao Rio e passar batido pelo Cristo Redentor. O arco-íris, símbolo da luta contra a homofobia, escureceu de repente. Ser gay e dar um passeio pela avenida mais cosmopolita do país pode render uns tapas. Sinal dos tempos. Se para cada ação existe uma reação, pode-se concluir, de maneira apressada, que a violência contra os coloridos são uma resposta à postura cada vez mais agressiva de quem gosta de cantar a liberdade sexual. A turma GLBT saiu dos guetos e ganhou as avenidas, os shoppings, casas de família e o churrasco dos amigos. Realidade que pode deixar nervosos os mal resolvidos. Basta um olhar meio torto para o flerte acabar em pancadaria.
Talvez os falsos héteros repensem essa atitude quando perceberem o que boa parte das garotas realmente quer. Em tempos de transgêneros, em que a linha que separa os sexos ameaça desaparecer, a bola da vez são os homens com jeito de moça. O universo pop, espelho mais fiel do que está em alta, mostra que ser muito macho, pelo menos por enquanto, é "uó".
Na saga "Crepúsculo", por exemplo, quem se dá bem é o vampiro pálido que brilha sob o sol. O lobisomen musculoso fica chupando dedo.
Na música, Justin Bieber é prova irrefutável de que a masculinidade está na contramão do sucesso. Mesmo com aquela cara de menina limpinha, o cantor canadense, de 16 anos, conseguiu amealhar uma legião de fãs ensandecidas, dispostas a tudo para tirar uma casquinha. Se ele gosta da fruta, é outra história.  
Outro que caiu nas graças da mulherada é o exótico vocalista da banda alemã Tokio Hotel, Bill Kaulitz, que se apresentou em São Paulo para meninas barulhentas (foto). Bill abusa da maquiagem, usa roupas de fazer corar Lady Gaga e faz mais caras e bocas que Ney Matogrosso no auge da carreira. Não me surpreenderia se ele resolvesse trocar de sexo. Falta só passar a faca, porque o resto ele já fez. O cara é uma mulher feita. E tem um harém à sua disposição, para desespero dos playboys que transpiram testosterona nas academias.
No Brasil, Fiuk, filho do cantor Fábio Júnior, é quase uma unanimidade. Magrelo, cabelo mal cortado, cara de sujo, roupas larguinhas e olhar meigo, o jovem é sério candidato a levar porrada na Paulista. Assim como os garotinhos saltitantes e alegres do Restart, grupo que venceu o Video Music Brasil deste ano, sob vaias de músicos heterossexuais sérios e aplausos molhados das menininhas no cio.
O mundo, aos poucos, está se travestindo. O que antes separava homens de mulheres se resume hoje a uma questão biológica. Os anos 80 já davam sinais dessa transformação. Os roqueiros do Kiss, Bon Jovi, Aerosmith e Poison galgaram os primeiros lugares entre as mais tocadas graças aos vocalistas afeminados, sempre muito bem maquiados e de cabelos invariavelmente compridos.
No século 21, com o fim dos rótulos, é tudo junto misturado. Somos livres para escolher. Cor-de-rosa vale para todos. Não adianta descer o braço nas rebolativas. Até porque, como a vida é um ciclo, os machos vão voltar a ter vez. Antes dos cabeludinhos dos Beatles havia o gumex do Elvis. Calma que o Justin Bieber logo sai do armário - e de cena. Sem precisar apanhar.

Um comentário:

  1. Como diria Delaine, "O MUNDO É GAY". Sempre foi e sempre será. E é hétero também. Sempre foi e sempre será. Existe algo que não dá pra entender nisso?

    Muito bom, BRANCO! hehehe
    bj.

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