quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Sem dor, sem prêmio


Julia Roberts tem o poder


"Comer, Rezar, Amar". A trinca de verbos, necessariamente nesta ordem, dá nome ao filme baseado no livro autobiográfico da escritora e jornalista Elizabeth Gilbert. Eu não li o livro. E o filme, um sucesso entre as mulheres, não me despertou exatamente o interesse pela leitura. Mas vale o ingresso.
Julia Roberts interpreta uma balzaquiana em crise que resolve trocar o psicólogo por uma viagem. Sábia decisão. Recém-divorciada, vai comer pizza na Itália, rezar na Índia e encontrar a paz em Bali. Roteiro inverossímil para nós, mortais, sem a conta bancária dela, porém com o mesmo problema: equlibrar na balança da vida a autoestima, os amigos, a família, o trabalho e, principalmente, os relacionamentos amorosos.
Embora raso, "Comer, Rezar, Amar" tem méritos. O maior deles é nos tornar empáticos ao drama da moça e questionar nossos corações. Estamos felizes ou acomodados? Seríamos capazes de deixar a zona de conforto em busca da verdadeira satisfação? Depositamos no outro a responsabilidade pela nossa felicidade? Conseguimos manter a estabilidade emocional na soma e na subtração? A base está firme, aguenta o tranco de uma separação, mudança de ares, de emprego? Ou nos apegamos demais à infelicidade cotidiana, acreditando, em vão, que é melhor andar em círculos seguros a caminhar para frente, no escuro? No filme, Roberts deixa o círculo, parte em linha reta e sofre até conquistar a redenção, resultado da travessia, do movimento, depois da quietude e do amadurecimento. De brinde, se aninha nos braços de um novo namorado - Javier Bardem, na pele de um brasileiro. Sem dor, enfim, não há recompensa.
Dirigido por Ryan Murphy, o mesmo por trás do sucesso da série "Glee", "Comer, Rezar, Amar" resume com categoria um paradoxo que dificilmente admitimos: o do egoísmo que, se bem entendido e explorado, pode nos levar à doação e, enfim, ao verdadeiro amor. Entenda-se verdadeiro amor como aquele que sentimos incondicionalmente por nós mesmos e, assim, se faz ponte ao amor pelo outro. 
Desnecessariamente longo, o filme cumpre a sua função didática e ensina, através de uma Julia Roberts ora linda, ora meio largada, que o amor se traduz em prazeres que só se revelam após a dolorosa viagem pelo autoconhecimento. O prazer de comer bem. De entrar em comunhão com Deus, cada um à sua maneira; e amar ao próximo como a si mesmo. É o pote de ouro no fim do arco-íris. Parece simples. No entanto, comer, rezar e amar, como se deve, são nosso grande desafio. A caminhada é amarga. Com uma surpresa doce no final.
Para a autora da obra, a amargura está apenas nas lembranças. A viagem já se pagou. Como se não bastasse o filme ter arrecadado mais de 100 milhões de dólares nos cinemas americanos - cifra raríssima em se tratando de uma produção voltada ao público feminino - , o livro disparou na lista dos mais vendidos.  
A própria ilha de Bali sente o poder de Julia Roberts. No auge de "Sex and the City", Manhattan era o "must" para as solteiras bem-sucedidas em busca do príncipe ecantado. Agora, graças a "Comer, Rezar, Amar", Bali é a nova sensação entre as balzacas que pretendem um encontro com "o eu interior" e, quem sabe, com Javier Bardem.

3 comentários:

  1. Falou TUDO, Ro!

    Gostei muito do filme e da forma tranquila que esse nos passa a mesnagem: é natural estarmos constantemente em busca de equilíbrio nos aspectos de nossas vidas.

    E o trecho que mais gostei foi quando Elizabeth (Julia Roberts) reconhece que deve sair do raso equilíbrio já conquistado e se arriscar mais uma vez, seguindo em frente rumo ao escuro, justificando:

    "Perder o equilíbrio às vezes por amor, faz parte de uma vida equilibrada" – "Comer, Rezar, Amar" - Elizabeth Gilbert.

    Gostei muito da postagem.
    beijão!

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  2. O que o filme pretende é melhor do que o resultado final na telona. E o equilíbrio só é possível se, por vezes, tivermos o contraponto. E que este venha sempre por amor, né, Má? Valeu, garoto. Bjão.

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  3. Oi Rodrigo
    Estou te seguindo de novo pq é o perfil do meu blog novo, o que vou continuar, aliás começar rs !!!
    O outro vai ficar quietinho lá !

    Olha eu ia assitir esse filme semana passada, um amiga falou tanto que era chato e bla bla bla que desisti , to pensando de novo em ver rs !!!
    Equilííííibrioooooooooo ????????????
    Difíícil não ? Acho que é a busca eterna isso sim !!!
    Beijos e bom final de semana

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