quarta-feira, 24 de junho de 2009

Cultura pop

Lady Gaga e a cultura do ridículo


“As pessoas são ridículas apenas quando querem parecer ou ser o que não são”. A frase, do filósofo italiano Giacomo Leopardi, é levada ao pé da letra pela mais nova sensação da música pop norte-americana: Lady Gaga. Se você ainda não ouviu falar dela, relaxa. É questão de tempo.
Lady Gaga faz questão de ser quem não é. E adora zombar disso. Seu nome verdadeiro é Stefani. Tem 22 anos, mas aparenta o dobro, talvez por causa da maquiagem pesada. No palco, mostra a que veio. Num mundo ridiculamente adolescente, até ontem dominado pela dublê de cantora Britney Spears, Lady Gaga soa quase como um paradoxo. Também é sensual. Também faz música pop descartável. Também gosta de dar escândalos. De propósito, claro. Ridículo. Mas Lady Gaga sabe cantar. Ao vivo. E dança ao mesmo tempo. De dar inveja às concorrentes e à fada-madrinha de todas elas, Madonna.
Lady Gaga também se coloca como contraponto às celebridades instantâneas por um detalhe: estudou música na Universidade de Artes de Nova York. E antes de se lançar como cantora, escrevia canções para outros artistas. Ridícula com conteúdo.
Lady Gaga é ridícula porque quer. E leva isso às últimas consequências, principalmente na hora de se vestir. No melhor estilo “bagaceira”, ela usa e abusa de roupas que mais parecem figurinos de filmes de ficção científica. A loira já deu entrevista com um giroscópio na cabeça. E se apresentou nos principais programas de TV usando desde um zíper aberto em um dos olhos até um sutiã que solta fogos. Ridículo.
Clichês
O clichê da moça loira, ousada e sexy que explode de uma hora para outra nas paradas de sucesso só é superado por outro, ainda mais irritante: o de profetas de plantão que, inspirados no papa do pop Andy Warhol, dão apenas 15 minutos de fama para a moça. Pior: há os que, só pra contrariar, já a consideram a herdeira do trono de Madonna, sempre muito disputado, porém nunca desocupado. Britney, coitada, continua tentando. Ridícula.
No campo exclusivamente musical, Lady Gaga paga mico com categoria. “Just Dance”, seu primeiro hit, arrebatou o topo da lista das mais tocadas por semanas e botou fogo nas pistas do mundo inteiro. Ridículo. O segundo single, “Poker Face”, repete a façanha, impulsionado pelo videoclipe produzido com requintes de exagero. Em menos de quatro minutos, Lady Gaga desfila com uma máscara de espelhos, um óculos que mais parece uma televisão de plasma, um colã com ombreiras alienígenas e passos de dança que beiram o inaceitável. Ridículo.
Capa das principais publicações, especializadas em música ou não, Lady Gaga saca de outra arma: a ambiguidade sexual. Nos últimos meses, vários astros pop se declararam bissexuais: o ex-menudo Ricky Martin, a atriz Megan Fox e as cantoras Fergie e Pink. Lady Gaga foi além: disse que fantasiava com outras mulheres enquanto transava com o ex-namorado. Pronto, virou manchete. Ridículo.
Com caras e bocas, jeitão de travesti, franjão descolorido, plataformas gigantescas e música boa pra dançar, Lady Gaga é o espelho do que existe de mais banal e delicioso nesta tão discutível era da pós-modernidade, em que tudo é volátil demais para deixar algum espaço para reflexão. Afinal, seria ridículo refletir sobre o nada. Lady Gaga não é pra discutir. É pra curtir. Daqui a alguns anos, quando a Lady estiver Gagá, vamos nos lembrar de como tudo foi ridículo mesmo. O tempo, neste caso, só vai confirmar o que Lady Gaga esfrega na nossa cara a cada exótica aparição: que não adianta fazer sentido numa realidade desprovida dele.
Napoleão Bonaparte, ainda que ridiculamente baixinho, já preconizara do alto da sua arrogância: “Do sublime ao ridículo, só um passo é necessário”. Lady Gaga deu vários passos. E a gente aplaude. Porque é espetáculo. Nunca cair no ridículo foi tão divertido.

5 comentários:

  1. Pois é, a loura vive no ridículo, e o faz de forma consciente. Sabe exatamente como dança e usa e abusa disso. São zíper no olho e gisroscópio na cabeça escolhidos a dedo. Abre a boca pra falar de suas taras, chamando de ridícula a imprensa previsível que a ridiculariza.

    Gostei muito.

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  2. ridicula seria ela fumando crack ou drogada em um show. ela e boa no que faz.
    na minha opiniao ela quer sert uma super star,quebrando certos preconceitos e quebrando o receio das pessoas de se vestirem como querem.nao devemos ignora la,pois ela esta fazendo mais sucesso do que qualquer cantor.

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  3. nada ve. a lady gaga e muito e linda e gostosa. tu ta e morrendo de inveja dela.

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  4. Lady Gaga é arte!E pelo o visto uma "arte "
    muito invejada , não ?
    Lady Gaga DIVA ♥

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  5. RIDÍCULO é achar alguém ridículo e ainda querer aparecer por esse motivo. rsrsrs
    Eu me sinto tão ridículo agora... .-.

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